Na interface entre física e saúde, reside uma profissão ainda pouco conhecida no Brasil, de nome complicado e que precisa de profissionais para explorá-la mais no mercado de Mato Grosso do Sul e do País: a optometria. O nome, com “p mudo” e “tr”, pode não soar bem, mas as funções do profissional e o retorno financeiro (cerca de R$ 9 mil) tornam a atividade muito interessante. Em Campo Grande, uma das poucas optometristas é Rosalina Feitosa dos Santos, 61 anos, que demonstra, em cada palavra, paixão pelo que faz.
Alguns minutos de conversa com Rosalina são suficientes para entender a importância da optometria no cotidiano das pessoas nos diversos ambientes, como trabalho, casa e escola. O profissional da área identifica, com auxílio da física, situações que causam ou que possam causar problemas de visão. Após essa identificação, o paciente é encaminhado – caso necessário – a um oftalmologista. É como se a optometria fosse o hall da oftalmologia – uma antessala fundamental, que facilita e torna mais eficiente o trabalho do médico. “Enquanto o oftalmologista trabalha da visão para dentro, o optometrista trabalha da visão para fora”, define.
Rosalina citou diversas situações corriqueiras, que podem desembocar em problemas visuais e que, portanto, pedem atuação do optometrista. “Por exemplo, um bebê pode ficar estrábico, conforme a posição do berço no quarto”, afirma. Ela explica que a criança tende a olhar mais para onde há movimento, cores, objetos, pessoas. Assim, caso fique deitada no berço no canto do quarto, pode olhar sempre para a mesma direção, podendo ter desvios próprios do estrabismo.
Com a observação atenta e especializada, o profissional também pode descobrir a relação entre condições visuais adversas e dificuldades de leitura e/ou de aprendizagens. Conforme Rosalina, uma criança, que precisa ler e reler o mesmo parágrafo para entendê-lo ou que se cansa na metade de um pequeno texto, pode ter algum problema de visão.
No ambiente de trabalho, a iluminação, a disposição da cadeira, do computador e outras características do lugar podem afetar a saúde visual, explica Rosalina. O conhecimento, proporcionado pela optometria, ajuda o profissional a ordenar o espaço de forma adequada para evitar doenças nos olhos. Em razão dessa atuação da optometria, Rosalina já prestou assessoria a empresas. Em uma usina de cana, por exemplo, ela recomendou a criação de protetores para os olhos, adaptados com lentes de graus, destinados a trabalhadores que usavam óculos. A saúde das pessoas e a produtividade melhoraram.
O optometrista não trabalha, necessariamente, nos locais onde identifica os problemas. Isso pode ser descoberto, explica Rosalina, por meio de entrevistas e acompanhamento do paciente.
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