Economia

Grupo Pão de Açúcar

'Vamos abrir lojas com foco na região Centro-Oeste', afirma presidente

'Vamos abrir lojas com foco na região Centro-Oeste', afirma presidente

Redação

30/06/2013 - 18h15
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Mato Grosso do Sul está na rota dos investimentos de peso do Pão de Açúcar, um dos gigantes varejistas do País. Como ocorre com outros segmentos, o supermercadista tem no Estado e na região Centro-Oeste os focos para expansão de suas unidades. Em todo o País, o Pão de Açúcar deverá investir R$ 1,4 bilhão em abertura de novas lojas, como afirma, nesta entrevista, o presidente do grupo, Eneas Pestana. Ele também fala das tendências do setor de varejo e de problemas atuais da economia, como a alta inflacionária.

CORREIO PERGUNTA Quais novos investimentos estão previstos para MS e a Capital? Existe previsão para inaugurar mais um supermercado da rede?
Eneas Pestana Estamos em Campo Grande desde 1989, quando inauguramos a primeira unidade do Extra. Hoje são duas lojas de hipermercado e já estamos com estudos avançados para expandir em outros formatos. Além da inauguração do Assaí, temos outros planos para a cidade. Com isso, vamos contribuir com o poder de compra dos campo-grandenses, gerar mais emprego na cidade e movimentar a economia da região.

O segmento de “atacarejo” é uma tendência para o setor no Estado e no País?
O atacado de autosserviço é um segmento novo no Brasil e que ainda tem muito espaço para crescer. Com foco nos micro e pequenos empreendedores (transformadores e pequenos comerciantes), este modelo de negócios passou por algumas transformações ao longo dos anos, o que tem colaborado para um desempenho diferenciado; Há alguns anos, os atacados ficavam localizados nas periferias, hoje, os pontos estão localizados nos grandes centros e oferecem uma infraestrutura muito próxima da comodidade que o varejo oferece, com lojas maiores, confortáveis, com ar-condicionado e estacionamento coberto, por exemplo. Além disso, o crescimento das grandes cidades e os entraves de logística transformam estas lojas no distribuidor complementar da indústria e no estoque do pequeno comerciante. Este modelo de negócio tem atraído um público importante que não poderia ficar de fora da estratégia de multicanalidade do GPA. Além do atacado de autosserviço, apostamos em outros formatos, como os mercados de proximidade, com o Minimercado Extra, que atende consumidores no dia a dia corrido das grandes cidades, com foco principalmente nas compras de conveniência em produtos de mercearia e perecíveis. Também abrimos recentemente, no Rio de Janeiro, o primeiro shopping de vizinhança, o Conviva Américas, que inaugura a atuação do Grupo neste ramo. A companhia hoje está preparada para atender o consumidor em seus diferentes momentos de compra e dentro de suas expectativas e necessidades específicas.

Qual a previsão de movimentação financeira com o Assaí?
A previsão de investimento total do Grupo Pão de Açúcar para este ano é de R$ 2 bilhões, sendo que 70% serão destinados à abertura de novas lojas de todas as bandeiras, com destaque para as bandeiras Assaí com foco no Centro-Oeste, Nordeste e no formato Minimercado Extra, no Sudeste. Só no Assaí, ampliaremos nossa atuação para sete novos estados brasileiros, ante os seis onde atuávamos até o ano passado. Prevemos a abertura de 12 a 15 novas lojas da rede neste ano. As unidades do Assaí no Centro Oeste hoje representam 7% do faturamento da rede.

Que novidades o grupo promete oferecer aos clientes?
Temos como foco oferecer a melhor experiência de compra aos nossos clientes. Para isso, operamos com uma estrutura multinegócios, que atende diferentes perfis de consumidores nos seus diferentes momentos de compra. Nossas premissas são oferecer uma infraestrutura adequada, com bom atendimento, sortimento de produtos e qualidade na prestação de serviços. Para o Assaí de Campo Grande, trouxemos diferenciais como preços competitivos, mix de produtos adequado ao perfil do público da região, além de oferecer formas de pagamento como cartões de crédito e débito e cheques. Também oferecemos o serviço de televendas e o atendimento aos empreendedores locais, em parceria com o Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Temos uma política de uso racional das sacolas plásticas, para a qual disponibilizamos opções diferenciadas para o transporte das compras efetuadas, como as sacolas retornáveis (ecobags) e caixas de papelão, distribuídas gratuitamente, além das sacolas plásticas comercializadas a R$ 0,15, com renda revertida para a Apae da cidade. Também levamos o programa de coleta de Pilhas e Baterias, onde os clientes podem fazer o descarte dos materiais.

Quais atrativos o Grupo viu na Capital e região para os investimentos? 
Atuamos na região há mais de 30 anos, com presença em todos os estados. São 114 pontos de venda do GPA com as redes Assaí, Extra, Pão de Açúcar, Casas Bahia e Pontofrio. O Centro-Oeste é uma das regiões-foco no plano de expansão da rede. Dentro deste cenário, Campo Grande se apresenta como um mercado estratégico, dentro do formato de multicanalidade do Grupo. Um exemplo disso é a abertura do Assaí, no dia 21 de junho, com grande sucesso entre o público da cidade. Recebemos, somente no primeiro dia de operação desta nova loja, mais de 8 mil pessoas, um sucesso, superando nossas expectativas.  

O grupo fez alguma pesquisa sobre o potencial de consumo na região?
O GPA realiza diversos estudos sobre a região em que vai atuar para garantir que o sortimento e serviços oferecidos sejam apropriados para a região, respeitando e valorizando a cultura e os hábitos de compra de cada local onde está inserido. No Centro-Oeste, o Grupo trabalha em parceria com mais de 100 fornecedores da região, fomentando a economia local, entre eles, pequenas ONGs e associações que fornecem para o programa Caras do Brasil.  

Em relação ao mercado, na sua opinião, a inflação não recua por falta de estímulo à produção, já que ela não tem acompanhado a alta demanda?
Entendemos que essa é uma questão que tende a se ajustar no 2º semestre. A inflação é gerada quando há um problema na relação entre a oferta e a demanda. Os empresários precisam confiar mais no país e retomar seus investimentos, para que exista essa adequação e para gerar riqueza e crescimento. O país tem fundamentos econômicos sólidos. Os bancos estão saudáveis, temos uma situação de quase pleno emprego e de melhorias nos níveis de renda. Acreditamos que as iniciativas de estímulo à produção são importantes. Sentimos que há compromisso firme do Governo em adotar as medidas cabíveis para evitar elevação continuada de preços, em que vale destacar a necessidade de não comprometer o poder de compra do consumidor. Todos os setores e agentes econômicos devem trabalhar para evitar um cenário de alta inflação, e o GPA está empenhado em fazer sua parte para contribuir com esse objetivo. 

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