O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, fechou ontem em queda de 1,2%, aos 45.210 pontos, com as ações mais negociadas da Petrobras caindo para seu menor valor em quatro anos e meio. Na semana, o Ibovespa teve baixa de 4,73%."O mercado brasileiro ficou mais uma vez refém das ações ligadas às commodities [matérias-primas], que possuem grande peso no Ibovespa", diz o analista William Alves, da XP Investimentos. "Também contribuiu a perspectiva de que os EUA podem cortar estímulos diante de uma melhora econômica, enxugando investimentos estrangeiros nos emergentes", completa. Os papéis mais negociados da Petrobras, que representam mais de 8% do Ibovespa, foram os grandes vilões da Bolsa brasileira, ao fecharem em queda de 5,08%, em R$ 15,15.
É a maior desvalorização diária da ação desde 25 de junho do ano passado, quando caiu 8,95%, e a menor cotação para o papel desde 5 dezembro de 2008, quando estavam em R$ 14,83. As ações ordinárias (com direito a voto) da estatal também tiveram forte perda no dia, de 6,11%, para R$ 13,68. Segundo analistas, o mercado avaliou como acima do esperado o bônus de assinatura de R$ 15 bilhões estabelecido ontem pelo governo para o primeiro leilão do pré-sal. A primeira rodada de licitações de blocos do pré-sal, sob o regime de partilha, que será realizada em 22 de outubro, vai exigir que o vencedor ofereça à União, além do bônus, uma participação de pelo menos 40% do petróleo produzido.
"Como a Petrobras é obrigada a ter participação de 30% nos blocos do pré-sal, isso significa que a empresa deverá arcar com pelo menos R$ 4,5 bilhões nessa rodada. É um valor mais alto que o imaginado anteriormente, o que pode afetar o caixa da companhia", explica o analista da XP Investimentos. As ações mais negociadas da Usiminas lideraram as perdas do Ibovespa no dia, com queda de 9,41%, para R$ 6,64. Os papéis ordinários (com direito a voto) da siderúrgica ficaram na segunda colocação, com baixa de 8,12%, para R$ 7,02.
A queda se deu em meio a rumores de que o governo cortaria as alíquotas do imposto de importação para aço, resinas, vidro, painéis de parede, borracha, plásticos, alumínio e outros insumos industriais, segundo matéria do jornal "O Estado de S.Paulo". No final da tarde, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo está avaliando baixar alíquotas de imposto de importação, mas que ainda não tomou uma decisão e que está conversando com os setores industriais. "A fala do ministro acalmou em partes o desespero do mercado. Embora ele não tenha anunciado o corte no imposto, deixou em aberto a chance de que isso ocorra nos próximos dias", afirma Alves. Por esse motivo, as ações da petroquímica Braskem também tiveram forte perda hoje, de 4,65%, para R$ 16,21. Esses papéis chegaram a cair mais de 8% ao longo do dia.