As operadoras Vivo e Oi foram as únicas de Manaus que não atingiram o percentual mínimo de qualidade no serviço móvel de internet exigido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). De acordo com o ranking de qualidade divulgado pelo órgão regulador, com dados até abril, as duas empresas fecharam o quadrimestre com o índice de conexão de dados abaixo dos 98% exigidos.
A Vivo foi a que apresentou o pior resultado entre todas as operadoras em relação à conexão de dados, ficando com índice de 92,36%, ou 5,64 pontos abaixo do aceitável.
Em nota, a empresa informou “que trabalha e investe continuamente para prestar serviços e atendimento de qualidade aos seus clientes no Amazonas”. A operadora também anunciou medidas a serem implementadas em Manaus até o final do ano, além de informar que os investimentos na cidade, nos últimos três anos, atingiram R$ 373 milhões e apontou que os recursos investidos em infraestrutura e na rota Belém-Manaus, que será ativada em setembro, totalizam R$ 280 milhões.
O desempenho da Oi no serviço móvel de dados também não foi satisfatório, visto que ela apresentou índice de 95,32% no relatório. No serviço de voz a Oi conseguiu resultados bem melhores, ao fechar abril com percentual de 99%de conexão, enquanto o exigido pela Anatel é 95%.
As operadoras Claro e TIM se destacaram tanto no quesito conexão de dados, quanto de voz. A Anatel exigiu o mínimo de 98% na conexão de dados, mas as companhias atingiram 99,99% e 99,58%, respectivamente. Na conexão de voz, a Claro ficou com índice de 99,9% e a TIM 99,9%. Todas as operadoras de Manaus conseguiram respeitar a tolerância de 5% na queda do serviço de dados, mas a Vivo foi a que chegou mais perto do limite, com 2,30%.
Em nota, a Oi disse que a companhia está focada em elevar os níveis da qualidade do serviço e garantir entregas consistentes de resultados e, para isso, pretende investir mais de R$ 6 bilhões neste ano. A empresa ressaltou que a Vivo alcançou avanços importantes nos indicadores em âmbito nacional, mas não chegou a comentar sobre o desempenho.
De acordo com a Anatel, o relatório de qualidade do Serviço Móvel Pessoal (SMP) leva em consideração o completamento e queda de chamadas, a taxa de conexão e quedas da rede de dados, os índices de reclamações nas Centrais de Atendimento da prestadora e da agência, além das interrupções do serviço.
Legislativo aperta cerco após falhas
Após audiência com as operadoras de telefonia na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (Comdec), Álvaro Campelo decidiu que ingressará, na próxima segunda-feira, com uma ação conjunta com a Defensoria Pública do Estado (DPE/AM) e o Ministério Público Estadual (MPE) para suspender a venda de novas linhas telefônicas no Estado.
Além da promessa de suspensão nas vendas de chips, as operadoras poderão enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as causas da má prestação de serviços de telefonia móvel, a ser criada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE). Os deputados já solicitaram das operadoras, dados como a quantidade de antenas e usuários de todo o Estado.
Dados
Os parlamentares solicitaram dados de todas as operadoras de telefonia do Estado, como a quantidade de antenas instaladas no Amazonas e o número de usuários por antena e por operadora. Em julho do ano passado, a Oi foi proibida pela Anatel de comercializar novas linhas em cinco Estados, incluindo o Amazonas.
As operadoras TIM e Claro também tiveram as vendas suspensas em outras Unidades da Federação. Na época, as empresas que desobedecessem a proibição eram obrigadas a pagar multa de R$ 200 mil por dia. De acordo com a Anatel, de 2012 até 2014, as empresas se comprometeram a investir R$ 30,4 bilhões em melhorias no País.