O principal índice de ações da Bolsa brasileira, o Ibovespa, acompanhou o bom humor externo hoje e fechou em alta de 0,11%, a 49.921 pontos. Os investidores avaliaram o forte crescimento da economia americana no segundo trimestre e sinais de que um ataque de potências ocidentais contra a Síria pode ser adiado. O ganho do índice foi amenizado pela queda das ações mais negociadas da Petrobras (-1,52%, R$ 16,90) e da Vale (-1,44%, R$ 30,80). "Boa parte das ações do Ibovespa subiram hoje, com exceção das mais negociadas. Houve uma saída natural de final de mês dos investimentos nesses papéis -como Petrobras e Vale- para outros, com os investidores visando lucros maiores", diz Hamilton Alves, estrategista do BB Investimentos.
A baixa de 12,28% dos papéis da petroleira de Eike Batista, OGX, para R$ 0,50, também pressionou o Ibovespa. Segundo apurado pela reportagem, a petroleira de Eike Batista, que está quase sem dinheiro em caixa, deve para as empresas Schlumberger, Diamond, Pride e Chouest. Repercutiu ainda a divulgação de que Eike se desfez de ações da OGX e que pretende vender mais ativos de seu grupo. Segundo analistas, o mercado viu como positivo o discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, ontem, dizendo que ainda não tomou uma decisão sobre um ataque contra o governo sírio.
"Um conflito nesse momento aumentaria os custos da economia americana e poderia prejudicar sua recuperação. Além disso, como a Síria fica em uma região estratégica para o escoamento de boa parte da produção de petróleo mundial, a ação militar pressionaria ainda mais os preços dessa matéria-prima, impactando o mercado financeiro", diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos. Os investidores repercutem ainda a revisão do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre para um crescimento de 2,5%, surpreendendo analistas. A primeira prévia havia sido de 1,7%. "Apesar da melhora do número a análise detalhada do resultado mostra que consumo e investimento foram revisados para baixo, sendo que toda surpresa positiva ficou com o aumento de exportações e redução de importações", diz Paulo Gala, estrategista da Fator.