Economia

2013

Agropecuária deverá gerar um terço do PIB

Agropecuária deverá gerar um terço do PIB

Redação

03/09/2013 - 09h38
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A força do agronegócio deve responder por quase um terço do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013. O campo tem tudo para se firmar, em ano de supersafra, como o principal responsável pelo avanço da economia em meio a inflação e juros altos. Nas projeções do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a atividade do país deve avançar 2,3%, sendo que 0,7 ponto percentual será debitado na conta das colheitas recordes, ou 30,4% de toda a riqueza que será gerada no país. A safra prevista para este ano é de 186 milhões de toneladas. No segundo trimestre a agropecuária já mostrou que tem fôlego para sustentar o crescimento econômico este ano.

O setor fechou o período de abril a junho com crescimento de 3,9% em relação ao primeiro trimestre e expansão de 13% sobre o segundo trimestre de 2012. Já na comparação entre o primeiro semestre de 2013 com igual período do ano passado, o resultado é ainda mais expressivo, o melhor já registrado pela economia do campo. A alta foi de 14,7%, a maior taxa já registrada pelo IBGE desde 1996. Na sexta-feira, o resultado foi comemorado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade. "Estamos vivenciando, provavelmente, um dos melhores momentos da agropecuária do país. Com o crescimento dos investimentos no campo – o que tem gerado maior produtividade nas lavouras – e a abertura de novos mercados", afirmou.

Se toda a cadeia do setor agrícola for considerada — incluindo o escoamento dos produtos e a compra de máquinas agrícolas — o peso esperado na alta do PIB passa de 50%. Confirmada a expectativa, o campo se tornaria o componente mais importante do crescimento econômico brasileiro, algo que não se registra há muito tempo. As dificuldades enfrentadas pela indústria e os pífios resultados do setor de serviços ajudam a potencializar o bom momento do campo.


Revisão

Após o surpreendente resultado da economia no segundo trimestre — alta de 1,5%, ante previsões que não chegavam a 1% —, divulgado na sexta-feira, o mercado financeiro reviu as estimativas para 2013. No Boletim Focus, compilado toda semana pelo Banco Central, os analistas elevaram as projeções de alta do PIB, o que não ocorria há 21 semanas. A aposta passou de 2,20% para 2,32%. No início do ano, o percentual esperado para 2013 era de 3,26%.

Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) permitem uma avaliação mais real da economia, na avaliação do sócio-diretor da Nobel Planejamento, Luiz Gonzaga Belluzzo. Porém, o economista sustenta que o crescimento maior que o previsto não autoriza a análise de que a situação do país vai bem. No primeiro trimestre, o PIB apresentou alta de 0,6%. Para o terceiro trimestre, as expectativas não são a das melhores.

Juros e inflação

A estimativa de crescimento maior vem acompanhada de mais juros e mais inflação. Os analistas consultados pelo BC subiram de 5,80% para 5,83% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013. No caso da taxa básica de juros (Selic), a expectativa se mantém em 9,5% este ano, mas para 2014 os analistas já apostam em 9,75%. Entre os cinco que mais acertam as projeções, o percentual para os dois períodos é de 10% ao ano.

Para Júlio Miragaya, do Conselho Federal de Economia, o Boletim Focus divulgado ontem mostra que o mercado se apossou de uma visão um pouco mais otimista em relação ao crescimento do país. "As novas estimativas mostram isso. Mesmo que a criação de empregos continue a desacelerar, ainda acredito em avanço do PIB mais próximo de 3%", aposta o economista, ponderando que o desempenho da indústria dependerá bastante do comportamento do câmbio até dezembro. O efeito positivo da desvalorização do real sobre os setores exportadores e as consequências do aumento de juros, analisa o Banco Santander, tendem a contrabalancear investimento e consumo, resultando em crescimento estável e moderado nos próximos trimestres.

Diante da incapacidade do poder público de atender todas as necessidades da população, é preciso que os setores públicos e privados unam forças para aumentar o nível de investimento e, por consequência, melhorar o nível de vida no Brasil, avalia o diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. O banqueiro classificou o atual momento do país como crucial para delinear os rumos da economia. "A conjuntura internacional está nos oferecendo novos desafios. E esses desafios passam pela nossa capacidade de provar ao mundo que o Brasil é o país mais amigável para investir", afirmou Trabuco em almoço no Automóvel Clube de Belo Horizonte durante abertura do 4º Fórum Liberdade e Democracia.

O entendimento é que com as melhorias nos indicadores econômicos dos Estados Unidos – chamado por Trabuco de o "grande aspirador de capitais do mundo" – o Brasil terá pela frente a necessidade de disputar recursos com o resto do mundo. Mas, para ser atrativo em relação aos demais players mundiais, ele diz ser necessário haver uma "relação mútua de confiança" entre público e privado, ressaltando ser o Brasil um dos poucos países do mundo em que há convivência entre as duas esferas em diversos setores, como saúde, previdenciário, bancário etc.

O executivo afirma que no segundo semestre o país terá uma importante agenda para demonstrar como andam essas relações. A expectativa é que finalmente sejam realizados os leilões rodoviários, ferroviários e de aeroportos, o que pode contribuir para destravar os gargalos da infraestrutura. "É uma agenda muito interessante para o país. Estamos falando de centenas de bilhões. E isso é importante trabalharmos em conjunto para conseguir atrair os investidores. Mais aeroportos, mais rodovias e mais rodovias, o que acontece: o país fica mais competitivo", afirma o diretor-presidente do Bradesco.

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