O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou hoje em leve alta de 0,18%, a 51.716 pontos. O desempenho positivo do Ibovespa, que chegou a cair 1% no dia, foi ajudado pelo avanço dos mercados nos EUA, onde os índices de ações subiram entre 0,65% e 1%.
"O Ibovespa ficou perto da estabilidade porque não houve surpresa, o cenário continuou de cautela em relação ao possível início do corte nos estímulos econômicos nos Estados Unidos já em setembro, além da cada vez mais provável guerra entre potências ocidentais contra o regime sírio", diz Leandro Ruschel, diretor da consultoria Leandro & Stormer.
A alta do Ibovespa foi amenizada pela queda de 4,76% das ações da OGX, petroleira de Eike Batista, para R$ 0,40. Foi a maior queda entre as 73 ações do Ibovespa. Esses papéis vêm sofrendo forte volatilidade nos últimos dias em meio a crise financeira do grupo EBX.
Nos EUA, o Livro Bege do Federal Reserve (banco central do país) mostrou que a economia americana expandiu-se em ritmo "modesto a moderado" na maior parte do país entre o início de julho e o fim de agosto. Além disso, o déficit comercial nos EUA aumentou 13,3% em julho, para US$ 39,1 bilhões, com queda nas exportações e uma recuperação nas importações. "Os números divulgados hoje nos EUA não trouxeram surpresas, apenas confirmaram que a economia americana está se recuperando bem e, por isso, o Fed poderá cortar o estímulo econômico naquele país já este mês", diz Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.
Desde 2009, o Federal Reserve recompra, mensalmente, US$ 85 bilhões em títulos do governo americano para injetar recursos na economia. Como parte do dinheiro vira investimentos em outros países, inclusive o Brasil, a possibilidade de um corte no incentivo já em setembro, quando haverá uma nova reunião do Fed, desagrada o mercado.
Além disso, investidores preveem que, encerrada a recompra de títulos, o próximo passo será o aumento do juro dos EUA, hoje quase zero. Juro mais alto deixa os títulos do Tesouro americano, remunerados pela taxa, mais atraentes que aplicações de maior risco, como Bolsas, especialmente de emergentes.
O mercado continua apreensivo sobre uma possível intervenção militar na Síria pelos Estados Unidos, após acusações de que o regime militar sírio teria usado armas químicas.
"O possível conflito na Síria é um fator de risco forte. Se acontecer uma guerra prolongada, o efeito sobre os mercados será muito negativo, considerando que as finanças dos EUA não estão lá essas coisas", diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos.
Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, o republicano John Boehner, manifestou apoio ao pedido de Barack Obama por uma ação militar contra o regime sírio. O governo francês também é favorável ao conflito.