Economistas-chefes de grandes bancos defenderam ontem a importância da independência formal do Banco Central para reduzir a inflação do país. Octavio de Barros (Bradesco), Ilan Goldfajn (Itaú) e Nilson Teixeira (Credit Suisse) falaram em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Atualmente, o Banco Central está submetido ao Ministério de Fazenda, o que, segundo analistas, o deixa suscetível à pressão política. Na avaliação de Octavio de Barros, a autonomia operacional do BC contribuiria para reduzir a rigidez da inflação, que em média, nos últimos anos, é de 5,5%, enquanto o centro da meta oficial é 4,5%.
Segundo ele, se o Congresso aprovar uma lei nesse sentido, o impacto no mercado seria imediato no sentido de reduzir as expectativas do juros futuros. "Uma iniciativa como essa teria a envergadura institucional de um Plano Real. Mudaria de forma espetacular a visão que o mundo tem do Brasil e reduziria essa resistência que a queda da inflação tem no país", disse. Teixeira também defendeu a independência da autoridade monetária: "nos parece que uma formalização da autonomia do BC contribuiria para a redução da inflação", observou.
Os senadores presentes questionaram os economistas sobre o aumento da dívida bruta do país nos últimos anos e as críticas de muitos analistas de que o governo faz uma contabilidade criativa, o que gera desconfiança sobre as contas públicas. Para o economista do Credit Suisse, o fortalecimento das metas de inflação e fiscal teriam impacto favorável na recuperação da confiança de empresários e consumidores na economia. Ilan Goldfajn também defendeu mais transparência na condução da política fiscal.
"Não temos dinâmica perversa da dívida, não temos problema fiscal, acho que é uma questão apenas de melhorar a transparência", afirmou. Durante sua apresentação, o economista do Itaú não falou sobre a independência do BC. Questionado ao final sobre se também era a favor, ele respondeu que sim, pois daria mais clareza e transparência na condução da política monetária.