Reportagem na edição de hoje do jornal Correio do Estado mostra que a inatividade do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon), que há nove meses – desde que a nova gestão assumiu – não se reúne para tratar da concessão de benefícios do Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes), pode ter impedido a vinda de mais de 60 indústrias, com investimentos que se aproximariam de R$ 420 milhões e gerariam mais de três mil empregos; além, é claro, de aumentar a arrecadação de tributos da Capital.
Os números são baseados proporcionalmente no trabalho do Conselho em 2012, que em oito reuniões no ano consolidou 86 projetos dos 99 apreciados, avaliados em R$ 558,6 milhões, com a geração de 4,3 mil postos de trabalho. De janeiro a setembro do ano passado, pelo menos seis reuniões já haviam sido feitas – em 2013, até agora, nenhuma foi sequer agendada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e do Agronegócio (Sedesc).
Segundo a reportagem de Adriana Molina, consultores que trabalham na área relatam que o cenário acabou causando a desistência de empreendimentos. Os dois casos mais conhecidos são o da Rede Brasil Máquinas, representante da chinesa Lonking, que solicitava a doação de terreno à prefeitura para iniciar a construção de plantas de montagem de equipamentos da linha amarela – investimento estimado em R$ 200 milhões, com 1,5 mil empregos diretos e indiretos; e da Daron, loja de móveis e eletrodomésticos que tem mais de 40 filiais no Brasil, que tinha a intenção de montar um centro de distribuição para o Centro-Oeste e uma fábrica de colchões em Campo Grande, gerando pelo menos 200 postos de trabalho.
Outras dezenas de projetos também riscaram Campo Grande do mapa de possibilidades de investimento. Prova disso é o relato da própria secretária municipal de desenvolvimento econômico, Dharleng Campos de Oliveira.
Em entrevista ao Correio do Estado, no mês passado, ela afirmou que apenas 12 empresas, até agora, estariam na lista de pedidos de incentivos, aguardando uma reunião do Codecon. No ano passado, a essa altura do campeonato, mais de 70 empresas já haviam pleiteado incentivos do Prodes na Capital.