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Banco Central mantém leilões diários de dólares

Banco Central mantém leilões diários de dólares

Redação

24/09/2013 - 10h43
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O programa de oferta diária de dólares ao mercado, iniciado no dia 22 de agosto, está funcionando bem, e "não há notícia do nosso lado" sobre possível mudança na política monetária, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, durante teleconferência com a imprensa estrangeira, cujo áudio foi disponibilizado depois na internet.

A pergunta foi motivada pela decisão adotada pelo Federal Reserve (FED, o Banco Central dos Estados Unidos) na última quarta-feira, mantendo a política de compra de títulos no valor aproximado de US$ 85 bilhões por mês para estimular a economia americana. A medida ajudou a conter a cotação do dólar no Brasil e nas demais economias emergentes.

A decisão do FED abriu a perspectiva de possível alteração dos leilões diários do BC, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a admitir, na semana passada, a hipótese de o BC reduzir a intervenção no câmbio. Isso porque muita coisa mudou de 22 de agosto para cá, quando o dólar fechou a R$ 2,42 - atualmente a moeda americana está cotada a pouco mais de R$ 2,20.

Apesar da desvalorização em torno de 8% em um mês, Tombini considera adequado o programa de leilões diários, que oferece US$ 500 milhões em swap cambial (o equivalente à venda de dólares no mercado futuro) de segunda-feira a quinta-feira, e US$ 1 bilhão das reservas internacionais com compromisso de recompra futura, às sextas-feiras.

Com esse programa, o BC espera movimentar US$ 60 bilhões no mercado, de modo a reduzir a volatilidade (alteração súbita) do câmbio e oferecer mais proteção às empresas. Tombini disse que a decisão do FED não muda a política monetária brasileira, mas ressaltou que será melhor que o banco norte-americano, quando for retirar os subsídios, não o faça de uma vez. "Quanto mais gradual a mudança, melhor para os emergentes", acrescentou Tombini.

Entenda como funciona o swap cambial
O swap cambial - um dos instrumentos financeiros anunciados nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC) para tentar conter a alta do dólar - trata-se de uma operação em que o BC se compromete a pagar aos compradores desse contrato uma taxa de juros pós-fixada, enquanto receberá em troca o percentual de variação da moeda americana neste mesmo intervalo de tempo.

Um exemplo: o BC faz um leilão de swap cambial hoje com vencimento para daqui 12 meses. Supondo que o contrato seja de R$ 1 milhão, isso significa que o BC recebe ao final de 12 meses a variação do dólar nesses próximos 12 meses e em troca paga ao comprador desse contrato a variação da taxa de juros no período.

A operação incentiva que os compradores desse contrato estejam interessados na queda, manutenção ou somente uma pequena alta do dólar (não maior que a variação dos juros nesses 12 meses) para ter que pagar menos do que receberão do BC.

No exemplo do contrato de R$ 1 milhão, se o dólar sobe de R$ 2,45 para R$ 2,70 nos 12 próximos meses, o comprador do swap pagará ao BC essa variação de 10% vezes o valor do contrato (10% dos R$ 1 milhão do contrato igual a R$ 100 mil).

Contudo, ele tem direito de receber em troca do BC a taxa de juros pós-fixada no período. Essa taxa acompanha de perto a variação da Selic (atualmente em 8,50% ao ano). Supondo que a taxa pós acordada entre as partes desse swap tenha ficado nesses 8,50% no período do contrato, o comprador do swap utilizado no exemplo receberá R$ 85 mil (8,50% dos R$ 1 milhão do contrato).

Logo, o comprador desse swap teria perdido R$ 25 mil nessa operação, pois pagou R$ 100 mil e recebeu R$ 85 mil. Isso mostra como esses contratos "incentivam" a contida da alta do dólar por parte dos agentes financeiros que o compram.

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