As declarações feitas ontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçaram as perspectivas de economistas de que a autoridade monetária adotará um ritmo menor de alta da taxa básica de juros (Selic) em 2014. Em audiência pública no Senado, o presidente do BC reconheceu que há uma defasagem do impacto da alta dos juros na inflação. "Importante nesse processo lembrar que a transmissão das ações de política monetária para inflação ocorre com defasagens e envolve um certo grau de incerteza sobre a intensidade com que a inflação irá reagir às ações de política", afirmou.
Economistas ouvidos pela reportagem, que também levam em consideração indícios observados na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), acreditam que deve haver até duas altas de 0,25 ponto percentual em 2014 --na reunião de janeiro e de fevereiro. Com isso, a Selic encerraria o ano entre 10,25% e 10,50%. Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global, mantém a aposta em dois aumentos de 0,25 ponto percentual no próximo ano -nas reuniões de janeiro e fevereiro. "O prolongamento do aperto monetário (ciclo de alta dos juros) vai depender da desaceleração do governo brasileiro e da perspectiva fiscal para 2014 e 2015, da retirada dos estímulos econômicos pelo Federal Reserve [Fed, banco central americano] e de novos sinais de crescimento na Europa", diz.
Já Alessandra Ribeiro, economista da consultoria econômica Tendências, vê apenas uma elevação de 0,25 ponto percentual no próximo encontro do Copom. No entanto, afirma, a ata abriu espaço para que o BC adote novo aumento de 0,50 ponto percentual na reunião de janeiro caso o dólar continue se valorizando em relação ao real. "Se o câmbio bater R$ 2,50 ou R$ 2,60, é possível que o BC adote esse aumento para conter as pressões inflacionárias", diz. É a mesma percepção do economista Antonio Madeira, da consultoria LCA, que também vê um aumento de 0,25 ponto percentual na reunião de janeiro, levando a Selic a encerrar o ano em 10,25%.