Pressionado pelas ações da Petrobras e com o mercado em compasso de espera pela reunião do banco central dos Estados Unidos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou hoje em queda de 0,38%, a 50.090 pontos.
"O dia foi pautado na cautela dos investidores com a possibilidade de o Fed [banco central dos EUA] começar já nesta semana a reduzir seu estímulo econômico, o que diminuiria o volume de recursos disponíveis para investimento em outros países, como o Brasil, prejudicando nosso crescimento e, consequentemente, nossa Bolsa", diz Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.
As ações mais negociadas da Petrobras, que representam mais de 8% do Ibovespa, fecharam o dia com perda de 3,11%, enquanto os papéis ordinários da estatal (menos negociados e com direito a voto) cederam 3,29%. Juntas, as duas ações da empresa representam cerca de 12% do Ibovespa.
"A queda das ações da Petrobras foi técnica, um ajuste aos ganhos recentes. A empresa subiu três dias seguidos, embora o cenário continue negativo para ela em meio a incertezas sobre como ficarão os reajustes da estatal em 2014 e se eles serão suficientes para eliminar a diferença em relação aos preços no exterior", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
Em sentido oposto, os papéis mais negociados da Eletropaulo fecharam em alta de 4,45%, liderando os ganhos do Ibovespa, mesmo após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ter determinado que a empresa terá que restituir R$ 626 milhões a seus clientes.
A Aneel, no entanto, reconheceu parcialmente o pleito da Eletropaulo, que pede mudanças em itens do terceiro ciclo de revisão tarifária da empresa, o que significa uma elevação da base de remuneração líquida da distribuidora de energia de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,67 bilhões.
Também no azul, as ações da CCR subiram 1,18%, após a companhia ter vencido o leilão do trecho da BR-163 em Mato Grosso do Sul, que foi realizado hoje na sede da BM&FBovespa, em São Paulo.
"Consideramos desafiador a obtenção das licenças ambientais com a celeridade que o projeto de execução exigirá, considerando que o trecho passará por reservas indígenas. (...)
Entretanto, considerando o potencial de alavancagem do projeto, com 70% de dívida, com custo bruto ao redor de 7% ao ano, carência de 5 anos para pagamento do principal, o ativo poderá agregar valor a CCR marginalmente", diz Renato Hallgren, analista do BB Investimentos, em relatório.
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