Transcorridos seis meses do fechamento da indústria, quando foram demitidos 165 dos 200 trabalhadores na época ainda vinculados à empresa, estão em andamento negociações para a venda da Usina Santa Olinda, reacendendo a esperança de centenas de ex-funcionários ansiosos que esperam pela reabertura da empresa para ter seus empregos de volta ou na pior das hipóteses, receber seus direitos.
Só a reabertura da usina devolverá ao distrito de Quebra Coco alguma perspectiva de retomada econômica já que a empresa é a única fonte de emprego da localidade que chegou a ter quatro mil moradores e hoje não tem mais do que mil.
Segundo a secretária de Produção, Teresa Cristina Correa da Costa, uma empresa multinacional (que ela prefere manter o nome em sigilo) tem interesse na compra da usina. Já houve aprovação da diretoria brasileira, mas o negócio ainda depende do aval da direção central sediada no exterior.
“Este grupo pretende se estabelecer em Mato Grosso do Sul. Um negócio desta proporção, na qual está se adquirindo uma empresa praticamente falida, com passivo trabalhista e tributário elevado, é natural que os interessados em comprar se cerquem de todos os cuidados, para não terem surpresas após assumir a empresa”, avalia a secretária. Há cálculos, não oficiais, de que o passivo supera R$ 1 bilhão. No caso de venda, quem receberá primeiro serão os trabalhadores.
Segundo a secretária, emissários do grupo interessado na compra da usina já estiveram vistoriando a indústria e desta vez ela confia num desfecho favorável. Além do aval da Justiça de São José do Rio Preto, por onde tramita o processo de falência da empresa, o dono da Santa Olinda, José Pessoa Bisneto, por meio de um dos diretores do grupo, Fernando Erick, mostrou interesse em se desfazer da unidade. Em várias ocasiões, nos quase seis anos que vem se arrastando esta crise da indústria, surgiram interessados na compra, mas o negócio sempre esbarrou na exigência de Pessoa de manter parte do controle acionário.
Na quarta-feira, quando foi realizada uma rodada de negociação em Campo Grande intermediada pelo Governo do Estado, o clima no Quebra Coco era de esperança, embora até agora nenhum dos trabalhadores da última remessa de demitidos tenha recebido um centavo sequer dos seus direitos.