O gasto das empresas de distribuição de energia em fevereiro chegou a R$ 4,7 bilhões, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Romeu Rufino, diretor-geral da agência, defende que o rombo no setor se deve, em maior medida, a não adesão das usinas da Cesp, Cemig e Copel à renovação das concessões.
"Se todas tivessem aderido a gente não teria esse patamar de exposição [necessidade de compra de energia pelas distribuidoras]", disse. "Isso [o rombo de R$ 4,7 bilhões] decorre da não adesão dessas empresas."
Como as distribuidoras não aceitaram a proposta do governo de renovar os contratos de concessão das usinas, elas não ficaram obrigadas a baixar o preço e nem a entregar parte de sua geração às distribuidoras, que são as empresas que levam energia até a casa do consumidor.
Assim, elas podem comercializar sua energia livremente no mercado, com grandes empresas e indústrias, em contratos mais rentáveis.
A renovação antecipada das concessões foi proposta pela presidente Dilma Rousseff em setembro de 2012. A proposta estava condicionada a aplicação de uma menor tarifa pelas empresas do setor, para que o desconto médio de 20% sobre as tarifas dos consumidores pudesse ser viabilizado.
Tarifas
O valor do gasto das distribuidoras no mês de fevereiro será publicado oficialmente pela Aneel amanhã.
O montante --que representa a compra de energia e o uso de usinas térmicas durante o segundo mês do ano-- sairá da nova conta atrelada à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Essa conta é a que receberá os aportes bancários que serão entregues às distribuidoras, empréstimos.
A negociação com as instituições bancárias teve intermédio do governo. O acordo limita a ajuda às empresas do setor elétrico em R$ 11,2 bilhões, que podem cobrir gastos feitos de fevereiro a dezembro deste ano.
Caso o gasto seja maior, um novo acordo com bancos para liberação de dinheiro deverá ser feita.
Todo o dinheiro usado pelas distribuidoras por meio desse empréstimo será repassado ao consumidor a partir do próximo ano, na forma de aumento das tarifas.
De acordo com o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, o valor foi alto em fevereiro, mas deve diminuir com o tempo.
"Essa liquidação é maior, porque a exposição das distribuidoras [necessidade de comprar energia extra para atender os consumidores] vai diminuir ao longo do tempo, com a realização de novos contratos de compra de energia e por meio do leilão", disse.
O leilão a que Rufino se refere é o leilão para compra de energia em caráter emergencial, anunciado pelo governo para dia 30 deste mês para ajudar a suprir a demanda das distribuidoras.
Rufino também acredita na redução dos gastos por causa de uma possível redução no custo da energia.