Trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de Mato Grosso do Sul irão paralisar as atividades nesta quarta-feira. Os núcleos do sindicato irão se reunir ao longo das próximas semanas para decidir se farão ou não greve geral. De acordo com um dos diretores da Executiva Nacional da Assibge – Sindicato Nacional, Cassius de Brito, uma reunião ontem deixou clara a posição defensiva da presidência do órgão, que, segundo ele, não sinalizou nenhum movimento de mudança concreta para melhorar as condições de trabalho no órgão.
“A suspensão da Pnad foi o ápice de um processo de precarização [do IBGE]. Temos quase metade da força de trabalho do IBGE que é temporária. A presidente disse que a suspensão da Pesquisa de Orçamento Familiar ocorreu por falta de recursos humanos”, disse ele. “O quadro permanente do IBGE está sendo esvaziado, e esse problema de recursos humanos é gravíssimo. Eles [presidência] reconhecem a defasagem salarial e de pessoal, mas não tomam providências efetivas, ficam como observadores”, declarou Brito.
O pedido de 1.600 vagas para os próximos quatro anos, por parte do órgão, é tímido, segundo o sindicato, pois dos 5.790 servidores em 580 agências espalhadas pelo país, 4 mil estão em condições de se aposentar nos próximos anos - 380 aposentadoria ocorreram somente neste ano. Segundo a assessoria do IBGE, a presidente do órgão reafirmou também que a atual relação entre os totais de servidores temporários e efetivos precisa ser ajustada, e considera crucial a recomposição do quadro de efetivos, bem como a valorização salarial dos trabalhadores do IBGE - questões que tem apresentado reiteradamente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão como críticas para a Instituição.
Além de novos concursos, a Assibge reivindica a convocação imediata de um congresso institucional e pleiteia eleições diretas para presidente, membros do conselho diretor e chefias das unidades estaduais, bem como melhores salários e mais recursos para a instituição. O sindicato protocolou pedido de reunião com a ministra Miriam Belchior e cobrou compromisso do IBGE em apoiar a realização do encontro.
Ainda segundo a assessoria do IBGE, a presidente do órgão, Wasmália Bivar se comprometeu a avaliar a convocação de um congresso institucional e disse que informará sua decisão sobre o tema à Assibge até 15 de maio. Ela também declarou que as orientações sobre as novas regras do processo sucessório para chefes de unidades estaduais e coordenadores deverão sair nos próximos meses.