Dois dias depois de decidir a favor dos fundos de investimentos que não quiseram trocar sua dívida com a Argentina, a Justiça dos EUA levantou uma medida cautelar que protegia o país de não pagar seus credores.
Agora, o primeiro grupo de detentores de títulos que não entraram na troca de papéis podem cobrar os US$ 1,3 bilhão do país.
Com o fim da medida cautelar, dificilmente a Argentina conseguirá pagar os outros credores, os que haviam aceitado a reestruturação, no próximo dia 30 de junho.
Isso porque o dinheiro que o país depositar no banco para os credores com quem tem acordo pode ser confiscado para saldar a dívida com os que estão em litígio.
Ou seja, aumentou a chance de "default técnico" (grosso modo, um tipo de calote em que o devedor diz que concorda com os termos da dívida, mas não tem como pagar).
Negociação
Ontem (17), o ministro da economia, Axel Kicillof, pronunciou-se sobre a dívida. Ele afirmou que a Argentina vai tentar negociar com o juiz da causa e, paralelamente, irá tentar trocar novamente os títulos, para pagá-los na Argentina.
No entanto, há ainda uma outra questão. Quando o governo renegociou a dívida, em 2005 e 2010, 92% dos detentores de títulos aceitaram.
Mas o acordo tinha uma cláusula que dizia que, caso, eventualmente, o governo fizesse uma oferta melhor, ela deveria ser replicada a todos.
No atual cenário, isso significa que a reestruturação seria totalmente desfeita.
Nesta quarta (18), um grupo de detentores da dívida na Itália afirmou que, caso a Argentina cumpra a sentença, irá entrar na Justiça também.
A cláusula, no entanto, tem data de validade: vai até o fim deste ano.