O esfriamento da economia trouxe uma série de indicadores negativos de vendas e produção no setor de veículos. Contra essa maré baixa, os carros usados estão em alta, ajudados por uma invenção brasileiríssima: o consórcio.
No primeiro semestre, o número de carros usados financiados por essa modalidade cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2013, para 103 mil unidades, segundo dados da Cetip. A proporção do aumento é maior do que as vendas em geral de usados, que fecharam o semestre com alta de 4,6%.
"O consórcio é um modelo de autofinanciamento em que todos os participantes se ajudam até que todas as partes adquiram o bem desejado", resume Paulo Rossi, presidente da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios). Nessa lista entram carros, imóveis, eletrodomésticos e, mais recentemente, até serviços, como viagens, procedimentos médicos e casamentos.
Para participar de um consórcio, os consumidores devem procurar uma administradora cadastrada pelo Banco Central e entrar num grupo com o valor da carta de crédito do bem desejado. A vantagem em relação às linhas tradicionais de financiamento está no custo menor. A partir daí, o comprador começa a pagar parcelas mensais e só terá direito ao crédito para aquisição do bem quando for contemplado, seja por sorteio, lance, ou quando chegar o prazo final para que todos sejam beneficiados. Atualmente, 21% de todo o crédito do sistema financeiro para compra de veículos é proveniente do sistema de consórcios, segundo os dados mais recentes do Banco Central.