Na carta que escreveu ao Papai Noel, Larissa de Oliveira, de oito anos, voltou a pedir um jogo de montar. No entanto, as cores das peças, um dos principais atrativos do brinquedo, não podem ser vistas pela menina. Larissa é cega e, como as demais crianças com deficiência, enfrenta um obstáculo em suas brincadeiras, provocado por uma limitação do mercado: a escassez de brinquedos que atendam às especificidades dos deficientes.
“Tenho muita dificuldade. As pessoas da loja não sabem nem o que falar”, conta Ana Paula Barbosa, mãe de Larissa, referindo-se às suas diversas tentativas de encontrar brinquedos interessantes à filha e que lhe possibilitem exercer um direito básico da infância, o de brincar.
Crianças com deficiência podem, em princípio, brincar com qualquer brinquedo. No entanto, segundo observa a pedagoga e professora universitária Ana Maria Ribeiro da Rocha, os brinquedos precisam ter duas características fundamentais: devem ser atrativos e não oferecer riscos à criança. “Por exemplo, um brinquedo com sonoridade pode ser atrativo para muitas crianças, mas não para as que são surdas. Da mesma forma, um produto com muitas cores pode não ser atrativo a uma criança cega”, ilustra.
A reportagem de Osvaldo Júnior está na edição de hoje (30) do jornal Correio do Estado.