Os aproximadamente 2,7 mil trabalhadores do Consórcio UFN3 passaram a receber salários e rescisões trabalhistas atrasados na tarde de ontem, conforme informações da Assessoria de Comunicação do TRT (Tribunal Regional do Trabalho). O balanço com o número de ex-funcionários que já receberam ainda não foi divulgado.
Na última quinta-feira o Banco Central identificou o valor de quase R$ 50 milhões nas contas da Petrobras e a Justiça determinou o bloqueio do dinheiro para que os operários pudessem receber. Inicialmente, o valor seria sequestrado das contas da UFN3, porém, o valor não foi encontrado e a Petrobras se tornou responsável por pagar as dívidas trabalhistas.
Ainda ontem, a Justiça passou aproximadamente R$ 40 milhões para a Caixa Econômica Federal para serem repassados aos colaboradores da UFN3. A movimentação nas agências bancárias foi intensa e os ex-funcionários foram acompanhados pelo presidente do Sintiespav (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil Pesada), Nivaldo da Silva. “Enfim, os operários passaram a receber e muitos já estão programando a volta para casa. Acredito que até a próxima semana todos estarão em seus lares”, destacou.
Por outro lado, fornecedores de Três Lagoas, que aguardam posicionamento da UFN3 quanto a dívida atualizada de R$ 11 milhões, realizaram protesto em frente ao canteiro de obras, localizado na BR-158, saída de Três Lagoas para Brasilândia, para tentar chamar a atenção do consórcio, porém, sem êxito.
De acordo com Atílio D’Agosto, presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial), que intermedeia as negociações entre os empresários e a UFN3, a ACI ainda não conseguiu marcar uma reunião com o consórcio para saber da possibilidade de a dívida ser quitada. “Uma reunião deve ser realizada nos próximos dias no Rio de Janeiro para tratar dessa dívida. A nossa esperança é que um cronograma de pagamento seja elaborado e cumprido, assim como aconteceu em julho, quando a dívida era bem maior – R$ 50 milhões -”, destacou.
A dívida milionária acumulada no município pela UFN3 resultou em prejuízo para os empresários que vinham fornecendo materiais para o consórcio nos últimos meses. Muitos deles precisaram fechar os negócios ou demitir seus funcionários. “O prejuízo realmente foi muito expressivo. Embora R$ 11 milhões possam não representar muito para a UFN3, para os empresários de pequeno porte, a falta desse pagamento resultou no fechamento das empresas”, completou.
No início desta semana, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de R$ 50 milhões das contas da UFN3. O Consórcio, porém, já havia informado que não tinha esse valor em conta, o que foi confirmado pelo Banco Central, que ficou responsável pelo rastreamento nas contas. Na quinta, o mesmo foi feito nas contas da Petrobras e o valor foi bloqueado para garantir o pagamento dos funcionários.
Ferramentas e maquinários da UFN3 foram sequestrados no canteiro de obras, que poderiam ser utilizados para garantir a quitação das dívidas trabalhistas se o valor não fosse encontrado.
“Sequestramos para garantir um plano B. Felizmente, não foi necessário, pois já conseguimos o valor diretamente da Petrobras”, destacou a juíza do trabalho que esta à frente do caso, Andrea Peruca.
Em nota, a Petrobras se pronunciou pela primeira vez e confirmou que rescindiu o contrato para a construção e montagem da UFN3, que se encontra com 82% da obra concluída, em razão do descumprimento do contrato por parte do consórcio.
A estatal destacou que está em dia com todos os pagamentos e compromissos previstos no contrato e que tomou todas as medidas necessárias para que o consórcio cumprisse com suas obrigações legais.