Abrir mercado e conquistar credibilidade internacional, driblar a crise econômica, aumentar o capital ganhando em dólar. Esses e outros atrativos da exportação têm encorajado empresários de Mato Grosso do Sul a buscarem pela primeira vez clientes fora do país. “Nós fizemos uma visita a Miami, onde percebemos que nosso setor tem um potencial muito grande. Fomos em julho e visitamos cinco clientes. Deu certo, agora só estamos terminando de regularizar a documentação. Vamos exportar”, garante, animado, o sócio-proprietário de empresa de piscicultura, Luiz Acorci Filho. Em princípio, a empresa está em negociação com três clientes, sendo que um deve fechar contrato para comprar 3 mil alevinos de pirarucu por mês.
Esse movimento rumo ao comércio internacional cresceu com mais expressividade no ano passado entre as microempresas. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostram que o número de indústrias exportadoras desse porte cresceu 58,8% no Estado entre 2013 e 2014, de 17 para 27 unidades. Em receita, o incremento foi de US$ 1,042 milhão, o que representa variação de 298,6% frente a 2013. Outro avanço foi entre as médias empresas, que saltaram de 64 para 75 unidades exportadoras em 2014. A receita do segmento cresceu US$ 53,3 milhões, equivalente a 130%.
A analista técnica do Sebrae, Fernanda Villalba Lopes, afirma que a entidade tem recebido maior número de empresários de micro e médio portes interessados em iniciar a exportação e que desejam orientação para o processo. Ela ressalta que definir a atividade como estratégia de mercado dentro da empresa é um passo importante para começar a exportar. “Tem que dizer, por exemplo, 20% da nossa lucratividade vão vir da exportação, e focar nisso”, ensina.
Para Acorci, o foco nesse primeiro momento é abrir mercado e conseguir consolidar a marca no exterior. “Não estamos muito preocupados com volume e lucratividade. A gente quer entrar no mercado externo nem que seja para vender um peixe para cada (país). Nossa intenção agora é conseguir clientes fixos lá”, adianta. A produção hoje da empresa é de 5 mil alevinos por safra e a expectativa é de pelo menos dobrar esse número para o próximo ciclo.

BENEFÍCIOS
Entre os benefícios de investir na atividade, Fernanda ressalta o fato de que o empresário pode usufruir de incentivos fiscais e de crédito, ter melhor aproveitamento do seu produto devido às diferentes sazonalidades dos países e alcançar nichos de mercado dispostos a pagar mais. Além disso, a coordenadora do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado (Fiems), Fernanda Barbeta, destaca que o processo de adequação para exportar aumenta a qualidade da empresa, já que o mercado externo, em geral, é mais exigente.
Luiz conta que aumentar a credibilidade interna também foi um dos fatores que levaram o grupo a procurar internacionalizar a produção. “Quem exporta se isenta de muitos impostos, mas principalmente aumentamos nossa credibilidade com nossos clientes daqui por ter o status de empresa exportadora”, avalia.
Mas é claro que o faturamento também pesou na balança, já que a estimativa é de ganhar cerca de quatro vezes a mais do que lucraria vendendo no Brasil. Isso por conta do dólar em alta e do diferencial do peixe brasileiro. “São peixes que não têm lá e que eles gostam, tem mais gordura e é melhor para fazer na chapa. Por isso conseguimos vender um pouco mais caro, e ainda assim oferecer um preço que para eles é bom”, exemplifica.