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Inadimplência no Brasil sobe a 5,3% em 2015

Inadimplência no Brasil sobe a 5,3% em 2015

Redação

28/01/2016 - 05h00
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A inadimplência no mercado de crédito no país no segmento de recursos livres atingiu em 2015 o maior patamar em mais de três anos, em um ambiente de pressão sobre o orçamento dos brasileiros, em meio à economia em recessão, inflação elevada, aumento do desemprego e condições mais duras de financiamento.

Nesse segmento, em que os empréstimos têm taxas de juros definidas livremente pelas instituições financeiras, a inadimplência foi a 5,3% em dezembro, contra 5,2% em novembro e 4,3% um ano antes, divulgou o Banco Central nesta quarta-feira.


Com isso, a taxa foi ao nível mais alto desde novembro de 2012, quando havia ficado em 5,31%.


O quadro reflete as condições mais apertadas no ano para a quitação de empréstimos, que ficaram mais caros diante do ciclo de aperto nos juros para combate à inflação, além do aumento da percepção de risco com um mercado de trabalho em deterioração e diminuição da renda média dos trabalhadores.


Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento da inadimplência se deu de maneira "bem comportada", já que em períodos de aumento de desemprego, como o vivido pelo país, há expectativa natural de elevação das taxas de não pagamento.


Ele disse que o movimento foi calcado sobretudo no avanço da inadimplência entre empresas. "Em outros episódios, o crédito às famílias era a maior preocupação, dessa vez está um pouco mais associado ao credito às empresas... e, na sua maior parte, o crédito associado a pequenas e médias empresas, dada a evolução da economia", disse.


Questionado sobre a intenção do governo de contemplar as companhias desse porte em novas medidas de crédito, em uma tentativa de estimular a atividade, Maciel afirmou que ainda é cedo para fazer qualquer avaliação sobre o risco ao aumento da inadimplência.


"A gente tem que ver as condições que serão anunciadas desse crédito. Por isso não estou fazendo a avaliação de qualquer nova medida que eventualmente venha a ser tomada."


Em dezembro, os juros médios no segmento de recursos livres caíram a 47,3%, contra 48,1% em novembro. Mas no ano, exibiram alta de 10 pontos percentuais.


O spread bancário, que aponta a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final, também teve ligeira queda em dezembro, a 32,1 pontos percentuais, contra 33,3 pontos em novembro. No acumulado de 2015, entretanto, o aumento foi de 6,8 pontos percentuais.

 


Estoque


Em um retrato da desaceleração da concessão de empréstimos no Brasil em meio à recessão econômica, o estoque total de crédito subiu 6,6% em 2015, a R$ 3,217 trilhões, ou 54,2% do Produto Interno Bruto (PIB).


O desempenho ficou abaixo do enxergado pelo BC, que estimou em dezembro que essa alta seria de 7% no ano, ante 9% de projeção anterior.


Foi o pior crescimento do estoque da série histórica do BC para o saldo de financiamentos no país iniciada em 2007, sendo também o primeiro avanço de um dígito apenas.


O BC já vinha apontando essa tendência de menor alta no saldo de empréstimos, em parte pelo aumento da base nos últimos anos, em parte pelas condições menos favoráveis à tomada de empréstimos, na esteira da derrocada econômica.

Para 2016, a expectativa é de expansão de 7% no estoque de crédito no país, conforme divulgado pela autoridade monetária no mês passado.

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