Passado mais de um ano, fornecedores de Três Lagoas ainda tentam se recuperar do impacto gerado com a suspensão dos pagamentos por parte da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3). A fábrica, da Petrobras, foi lançada com a promessa de aquecer a economia local, o que aconteceu por algum tempo, porém essa realidade mudou no segundo semestre de 2014, quando os atrasos nos pagamentos dos fornecedores e a demissão de trabalhadores começaram. Em dezembro daquele ano, a estatal rescindiu contrato com o consórcio responsável pela obra – composto pelas empresas Galvão Engenharia e Sinopec –, dando início a um efeito cascata de desaceração da economia.
São 133 empresários locais na expectativa de receber esses créditos, que juntos somavam, naquela época, uma dívida de R$ 36 milhões – se reajustado hoje, esse valor pode passar de R$ 40 milhões, estima o presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas, Atílio D’Agosto.
Entretanto, enquanto espera, a maioria dos micro e pequenos empreendedores teve de encerrar suas atividades. “Foram mais de mil trabalhadores demitidos apenas desses fornecedores, sem contar os demitidos pelo consórcio. Muitos pequenos empresários fecharam as portas, deixaram o seu negócio para trabalhar no do outro e, mesmo que recebam hoje, muitos já não conseguirão mais se reerguer. Fora o efeito cascata, com a paralisação do comércio, o aumento da inadimplência, entre tantos outros problemas. A cidade parou”, destacou Atílio.
Reportagem de Renata Prandini está na edição deste domingo (27) do jornal Correio do Estado.