Ventos da renovação estão soprando sobre o cooperativismo sul-mato-grossense. Embalados pelos princípios de autonomia, democracia e cooperação – valores do cooperativismo -, jovens estão cada vez mais tomando gosto por este tipo de negócio. Além de apregoarem necessidades comuns a juventude, como participação e liberdade, as cooperativas são alternativas interessantes em um momento de desemprego elevado e da precarização do trabalho.
A força vem do Programa de Desenvolvimento de Jovens Cooperativistas, desenvolvido pelo Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB/MS), baseado nos modelos aplicados com êxito em outros estados do País como Paraná e Santa Catarina. Voltado para adolescentes, jovens associados, filhos de associados e funcionários de cooperativas com idade entre 16 a 30 anos, o treinamento desperta o interesse pelo negócio cooperativo, capacita jovens para gerir de forma competitiva, exercendo seu papel de liderança. Mais que tudo, prepara o interessado para encarar com confiança os desafios do mercado de trabalho.
Segundo o coordenador do programa da OCB/MS Renato de Oliveira, graduado em Filosofia e especialista em Programação Neurolinguística e com experiência de 25 anos, o curso tem módulos que trabalham temas inerentes à realidade do jovem. “O objetivo de incentivar sua participação nas cooperativas onde seus pais ou até mesmo eles são cooperados. Podem participar jovens cooperados ou filhos de cooperados das cooperativas participantes do projeto”, explicou Oliveira.
Ele destaca que a meta do programa é promover nos jovens o maior autoconhecimento e reconhecimento de seu papel de protagonista de um empreendimento coletivo. “A ideia é envolver os jovens no cotidiano da cooperativa e proporcionar a ele maior entendimento sobre o empreendimento do qual faz parte”, enfatiza.
RURAL
Esta nova cara do cooperativismo está surgindo principalmente em cidades onde a agricultura é o carro-chefe da economia, como é o caso de São Gabriel do Oeste. O município sediou o primeiro curso para jovens cooperativistas. “Pela tradição agrícola do Estado os jovens que atendemos, em sua maioria, estão ligados às atividades agrícolas de suas famílias. Contudo, nota-se um significativo crescimento de participação também de jovens nas cooperativas de crédito”, salienta o coordenador doi programa.
Ele acrescenta que o evento em São Gabriel foi o único voltados exclusivamente ao público jovem de cooperativas. “Esse é o único no momento. Contudo, temos participação dos mesmos em nossas outras turmas de formação para gestão e liderança”, destacou.
NOVA CARA
Um desses jovens cooperados é o engenheiro agrônomo de 27 anos, Edson Tozetto Baggio, associado da Cooperoeste de São Gabriel. “Comecei a me interessar pelos cursos de cooperativismo por sugestão da cooperativa onde meu pai era associado”, lembra.
Animado ele participou do curso de Jovem Cooperativista e teve acesso a módulos de ensinamentos sobre governança cooperativista, administração e sucessão familiar, entre outros. “Estou nos primeiros passos, mas me entusiasmo pelos princípíos que vão desde lutar pelo bem comum até na participação de todos os associados nos ganhos da comercialização dos produtos”, frisou.
O ideal de União e bem comum que rege o cooperativismo também está servindo para aproximar o contato com as famílias sul-mato-grossenses. “Participar do programa me ajudou a aproximar mais dos negócios da família. Até porque muitos não valorizam o aprendizado na fazenda, mas para mim o cooperativismo ajudou neste sentido”, finalizou.
A preparação de novas lideranças futuras para oxigenar as cooperativas também é frisado pelo coordenador do programa Renato de Oliveira. “Além de manter vivo o ideal cooperativista o programa promove o processo de preparação de novas lideranças para as cooperativas, proporcionando que no momento em que assumirem as cooperativas estejam melhor preparados”, conclui. Ou seja o cooperativismo tem futuro.