A Sexta-feira Santa começou movimentada na peixaria mais tradicional de Campo Grande. As portas do local, no Mercadão Municipal, abriram às 5h e e seguida os clientes já começaram a chegar. Com previsão de aumentar as vendas em 10% por conta do feriado católico, o proprietário da peixaria, Cleuber Linares, prevê que o fluxo continue pelo menos até domingo (16).
“Muitas pessoas deixam para comprar na última hora, por isso ontem (13) ficamos abertos até 20h, e hoje (14) até meio dia. E sempre tem gente que entra correndo antes das portas fecharem, para comprar o peixe congelado e fazer na hora do almoço”, explica o comerciante.
A experiência de anos na venda de peixes fez com que ele mudasse estratégias para atender a freguesia. “Teve uma Sexta-feira Santa que a gente assou o peixe aqui para entregar pronto, mas não deu certo. Foi um tumulto só. Como aos domingos vendemos o peixe assado, resolvemos disponibilizar ele temperado e recheado no ano inteiro, e tem muita saída”.
Com preços a partir de R$ 8 - o quilo da sardinha - até R$ 50 - o quilo do filé de salmão - o local oferece opções para todos os bolsos e gostos. “Mas os campeões de venda são sempre o pintado e o pacu. É a preferência da maioria mesmo”, afirma Linares.
A contadora Kênia Dias, 32 anos, gastou R$ 112 na compra do peixe para o almoço de hoje. Levou o pintado, mas também camarão, para fazer moqueca. “É tradição, todo ano a gente almoça junto na Sexta-feira Santa, a família toda, dá umas 20 pessoas”. A principal justificativa para deixar as compras para a última hora é a falta de tempo durante a semana. “Ainda bem que abre mesmo no feriado”, afirmou.
Moradora da Vila Nasser a funcionária pública Jéssica Leite, 40 anos, também levou pintado, pacu e sardinha, num total de nove quilos de pescado para a família de apenas três pessoas. “Já faço para hoje e fica para comermos no fim de semana também”.
A mãe do comerciante Robson Padilha, 33 anos, estava aflita por ele ter deixado a compra apenas para hoje. “Eu vim ontem (13) a noite comprar, e parecia que estavam dando o peixe de graça. Estava impossível até de entrar aqui. Minha mãe tá lá e casa brava, mas fazer o que. Agora de manhã está cheio também, mas já dá para comprar pelo menos”.
Reportagem do Correio do Estado publicada na edição de hoje mostrou que mesmo favorecidos pela boa posição do calendário e a renda extra do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) recebida por parte da clientela, os donos de peixarias estão cautelosos na Semana Santa deste ano e projetam crescimento de vendas mais discreto, de 10% em relação ao feriado de 2016.
Nesta sexta, estabelecimentos abrirão até o meio-dia, outros até as 13h, em busca dos consumidores que deixaram a compra do pescado para a última hora.