Adotadas a toque de caixa após a greve dos caminhoneiros como forma de recuperar a competitividade do setor de transportes, medidas como a subvenção temporária para o óleo diesel e redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foram insuficientes para que o varejo de combustíveis fechasse o primeiro semestre deste ano com vendas em alta no Estado.
De acordo com índices repassados pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), o volume total de vendas dos produtos (gasolina, etanol e diesel) apresentou redução média de 10% no Estado, de janeiro a junho, no comparativo com o mesmo período do ano passado. Como resultado dessa retração, o setor também amarga o fechamento de 30 estabelecimentos no período de um ano e meio. Somente em Campo Grande, 10 postos fecharam nos últimos dois meses.
O Sinpetro-MS atribui o quadro de vendas da gasolina “à economia do País, que atravessa a pior fase de sua história, além da nova política de precificação da gasolina pela Petrobras, pela qual os preços são reajustados diariamente em níveis internacionais, o que trouxe ao setor uma instabilidade de caixa para o revendedor [postos], como também para os consumidores, que ficaram sem referência de preços que pagarão no dia seguinte”.
De acordo com o gerente-executivo do sindicato, Edson Lazaroto, isso gerou uma perda de mais de 30% no volume da média dos três produtos, inviabilizando a atividade de diversos postos – hoje, são mais de 30 estabelecimentos fechados, num período de 18 meses. “Somente nos últimos 60 dias, foram fechados em torno de 10 postos na Capital”, informou.
Com relação ao diesel, prosseguiu, ocorreu na pós-greve dos caminhoneiros um acréscimo de 46% no volume de vendas nos postos de rodovias do Estado, “que registravam quedas de mais de 60% desde 2015, quando o governo resolveu voltar a alíquota de 12% para 17%, o que ocasionou total falta de competitividade entre os estados vizinhos [Paraná e São Paulo], além dos postos de cidades de fronteira, em decorrência do preço internacional [principalmente Ponta Porã, Bela Vista, Porto Murtinho, Paranhos, Amambai e outras]”.
Mesmo assim, quando realizada a média do semestre, o balanço é de retração (-10%) nas vendas do combustível, mesmo índice observado para a gasolina. No etanol, ocorreu um acréscimo de volume na ordem de 3%.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também apontam para esse cenário, caracterizado sobretudo pela queda de consumo. Somente em relação à gasolina, produto que responde pelo maior volume de comercialização, foram vendidos, de janeiro a junho, 353,116 mil litros, o que representa recuo de 7,5% em relação ao mesmo semestre de 2017 (381,893 mil litros). Não se chegava a patamares tão baixos para o período desde 2015 (321,652 mil litros). Em 2016, foram vendidos no Estado 354,888 mil litros de gasolina.
Perspectivas
Ainda conforme o Sinpetro-MS, o que pode melhorar um pouco o cenário neste segundo semestre é a venda do diesel, com a renovação da subvenção deste combustível pelo governo federal, além dos efeitos, em médio e longo prazo, da equiparação da alíquota de 17% para 12% pelo governo estadual.
“Nos demais produtos, dificilmente o mercado reagirá, até porque, além do grave quadro econômico pelo qual atravessa o País, ainda temos o ano eleitoral, o que deixa muito indefinidos os planejamentos das empresas. Acreditamos, sim, em uma recuperação em médio e longo prazo, ou seja, a partir do 2º semestre de 2019”, finalizou Lazaroto.