A aprovação por parte da Câmara Municipal de projeto que autoriza a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para empreendimentos da Calila Administração e Comércio S.A., que administra o Shopping Bosque dos Ipês, está gerando polêmica entre os comerciantes.
A matéria, aprovada ontem por 23 votos a favor e apenas um contrário, autoriza a empresa que faz parte do Grupo Jereissati, um dos maiores no setor de shopping centers do País, a ter 100% de isenção no IPTU do empreendimento Centro de Convenções Bosque dos Ipês, nos próximos dez anos. A lei ainda precisa ser sancionada pelo prefeito Marcos Trad, mas gerou críticas entre os comerciantes de outras áreas que reclamam de não ter os mesmos benefícios.
O projeto, inserido no Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes), ainda conta com redução do ISSQN para 2% sobre as obras de construção do novo empreendimento. Além disso, os vereadores aprovaram a isenção de 50% do IPTU do Shopping Bosque dos Ipês por cinco exercícios, estendendo o benefício a todas as lojas, espaços de uso comum que recolhem o imposto dentro do centro comercial.
Na semana passada, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJR) pediu vista ao texto enviado pelo Executivo municipal por falta de licença ambiental. A Comissão de Indústria, Comércio, Agropecuária e Turismo também pediu vista, para analisar melhor a matéria, antes de seguir com o rito. Mas conforme a votação de ontem, ambas deram como regular tramitação do projeto.
O Bosque dos Ipês foi inaugurado na Capital em agosto de 2013 e o empreendimento foi construído pelo Grupo Jereissati, que investiu R$ 350 milhões na obra. O grupo milionário é dono de vários shoppings no País e recebeu inúmeros incentivos já na época de sua instalação na Capital.
Crítica
Alguns lojistas que não quiseram se identificar questionam o volume de incentivos dado a um empreendimento que vai gerar apenas 10 empregos, segundo o projeto do Codecon, e terá R$ 5 milhões de investimentos. “Acho estranho esse incentivo específico vir apenas para o Shopping Bosque dos Ipês”, declarou. “E os demais como ficam?”, salientou.
“Olhar para todos”
Para o presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL), Adelaido Vila, o projeto de lei é positivo para o setor na geração de empregos. No entanto, ele alega que a prefeitura poderia ampliar os benefícios para outros lojistas que passam por dificuldades diante de obras de reestruturação como os da 14 de Julho e da Rua Brilhante. “A CDL fica feliz pelo olhar do Legislativo e do Executivo sobre o varejo, sabendo que isso pode ampliar a geração de empregos no shopping. No entanto, gostaríamos que este olhar fosse ampliado também para os demais lojistas de outras regiões da cidade que foram impactadas com as obras de reestruturação urbana e reformas, como no Centro e em avenidas como a Brilhante, e registram queda brusca no movimento”, finalizou.