Economia

MATO GROSSO DO SUL

Calor intenso aumenta preço da energia

Alto consumo de energia e nível baixo do reservatório levarão contas à bandeira vermelha nível 2

Adriel Mattos

21/09/2019 - 09h00

A onda de calor, a falta de chuvas significativas e o aumento do consumo podem impactar na energia elétrica no mês que vem. A bandeira tarifária continuará vermelha, mas no patamar 2, o que acrescenta R$ 6 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.


De acordo com a presidente do Conselho dos Consumidores de Energia Elétrica da Área de Concessão da Energisa – MS (Concen-MS), Rosimeire Costa, a bandeira tarifária acionada para o mês de outubro, ao que tudo indica, pode impactar no bolso do consumidor. “O clima seco e a falta de chuvas já eram previstos para esses meses. Podemos afirmar que acontecerá o mesmo que em outubro do ano passado, e a bandeira tarifária deve ser vermelha patamar 2. O que significa um custo de R$ 6 a mais a cada 100 kWh consumidos”, explicou. 


Conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo médio nas residências do País é em torno de 158 kWh por mês, o que acrescentaria R$ 6 na conta de energia. Uma família que consome 200 kWh por mês pagaria R$12 a mais, enquanto uma que consuma 600 kWh teria uma aumento de R$ 36. No sistema de bandeiras tarifárias, em vigor desde 2015, a cor verde não tem cobrança de taxa extra, indicando condições favoráveis de geração de energia no País. Na bandeira amarela, com condições menos favoráveis, a taxa extra é de R$ 1,50 a cada 100 kWh consumidos. A bandeira vermelha pode ser acionada em um dos dois níveis cobrados. No primeiro nível, o adicional é de R$ 4,00 a cada 100 kWh. No segundo nível, a cobrança extra é de R$ 6,00 a cada 100 kWh.


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou no mês passado que a bandeira tarifária está vermelha este mês porque uma parcela significativa da energia é fornecida por meio de usinas termelétricas. Também pesou na decisão a diminuição do volume de chuvas, com a intensificação da estação seca. “Setembro é um mês típico do fim da estação seca nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional [SIN]. A previsão hidrológica para o mês sinaliza permanência do quadro de estiagem, com vazões abaixo da média histórica”, disse a Aneel.


A presidente do Concen ainda ressalta que o consumidor não pode esquecer dos bons hábitos de consumo. “Assim como a Águas tem avisado para o consumidor economizar água na última semana, é preciso atenção ao consumo da energia, pois a energia elétrica também depende de água”, aconselha Rosimeire. 

CONSUMO
Conforme o porta-voz da Energisa – concessionária que fornece energia elétrica para a maioria das cidades do Estado –, Helier Fioravante, o consumo aumentou neste período de intenso calor. As causas são os eletroeletrônicos que trabalham mais durante esse período, principalmente o ar-condicionado.

 
Ao Correio do Estado, ele deu orientações para que a população faça um consumo consciente. “Às vezes em um lugar tem dois equipamentos [ar-condicionado] ligados”, disse Fioravante. Ele orienta para que usem sempre a temperatura entre 23ºC e 25ºC para que o eletrônico não opere com tanta capacidade, mas que mantenha o ambiente fresco. “Tem gente que liga entre 17ºC e 15ºC para poder desligar mais rápido o ar, mas acaba deixando mais tempo e o ar funcionando em capacidade máxima, o que aumenta o consumo”, disse. Além disso, é importante deixar o ambiente fechado para que o ar frio não saia.


Outros eletroeletrônicos que impactam no consumo de energia no calor são a geladeira e a máquina de lavar. “Evitar abrir a geladeira desnecessariamente, opte por garrafas térmicas para beber água e com isso não ficar abrindo a geladeira”, disse ele, que também recomendou não colocar peças de roupas ou outros objetos na grade de trás do eletrônico, que serve para “tirar” o calor de dentro do equipamento e dissipar no ar, por isso ele esquenta. “Além de fazer a geladeira trabalhar mais, também aumenta os riscos de acidente, como um incêndio”, alertou o porta-voz. 


No caso das máquinas de lavar, a consciência fica em quantas vezes ela é usada. “Como no calor as pessoas suam muito, é normal que às vezes uma roupa que você usaria duas vezes, em uma usada ela já está com mal cheiro. Então as pessoas tendem a lavar roupas mais vezes, mas a orientação é que deixem acumular o máximo de roupa para a lavagem, dentro da capacidade do equipamento”, esclareceu. 


Fioravante finalizou dizendo que o importante é que as pessoas tenham ciência de que neste período o consumo aumenta e sai mais caro, mas que, seguindo as orientações, é possível que a conta no fim do mês fique mais barata.

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