Economia

CRISE ECONÔMICA

Dólar pode passar de R$ 4,30 por temor com coronavírus

A Apple anunciou que manterá as lojas e escritórios fechados até o dia 9 de fevereiro

Com o avanço do novo coronavírus, a preocupação global tem aumentado cada vez mais. O número de mortos pela doença aumentou para 259, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (31), pelas autoridades chinesas. Além da China, outros 23 países já confirmaram casos da doença. O Brasil analisa 12 casos suspeitos.

Embora o vírus apresente baixa mortalidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 2% dos casos resultaram em falecimento, os problemas gerados pela tentativa de controlar a doença influenciam diretamente na economia. A preocupação dos mercados também passa pela incerteza quanto aos dados divulgados pela China, afinal, a mídia estatal controla completamente as informações divulgadas. A Bolsa de Valores da China se encontra fechada desde o feriado do ano novo. A reabertura, adiada, até o momento, para 3 de fevereiro, pode gerar grandes distorções se a crise não tiver sido resolvida até lá.

O dólar comercial encerrou a sexta-feira (31) vendido a R$ 4,286, com alta de R$ 0,027 (0,63%). Foi a terceira sessão seguida de alta da moeda norte-americana, que encerrou janeiro com valorização de 6,8% em relação ao real. Essa foi a maior alta para meses de janeiro em dez anos. O diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, afirma que o dólar pode ultrapassar a casa dos R$ 4,30. 

“O mercado inteiro está atento a essa epidemia. A última confirmação é de 11 mil casos de contaminação, só na China. A expectativa é de paralização eventual de algumas fábricas. Então, há um impacto real na economia por conta disso. Não acho que exista um limite para a valorização do dólar, até porque o Banco Central tem uma política bastante ortodoxa de não intervenção no câmbio, porém de acordo com a gravidade dessa epidemia o valor da moeda americana pode até transpor os R$ 4,30”, explica Bergallo.

A gigante da tecnologia, Apple, anunciou neste sábado (1º), que fechará todas as suas lojas oficiais e escritórios corporativos na China até o dia 9 de fevereiro. A empresa informou por meio de comunicado que espera reabrir as lojas "o mais breve possível".

De acordo com a Sócia-Diretora da FB Wealth, Daniela Casabona, os especialistas em mercado financeiro já manifestam preocupação quanto as informações divulgadas. “O mercado tem reagido e sofrido bastante com a condição de saúde da China, não só o Brasil, como o mercado global estão sofrendo impactos na economia pelo contato limitado com a China em prevenção ao contágio do Coronavírus. Os dados podem ser ainda mais preocupantes do que os divulgados”, ressalta.

Exportações podem ser prejudicadas

As oscilações no mercado já preocupam as relações comerciais entre Brasil e China. Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, ainda é cedo para mensurar os efeitos da doença no mercado global.“A repercussão do ciclo global de aversão ao risco, em função do Coronavírus, está colocando o Ibovespa em uma rota de realização, após um longo ciclo de alta. Ainda é cedo para determinar a extensão dos efeitos da doença sobre a economia chinesa, mas, no cenário mais grave, é possível uma perda de 1,5% na taxa de crescimento do PIB”, estima.

Silveira ainda explica os setores da economia brasileira que podem ser afetados por essa crise. “A economia pode ser afetada por meio da redução das exportações de commodities, notadamente, o minério de ferro, produtos siderúrgicos e celulose. O mercado está antecipando os efeitos sobre todos os setores, desde mineração até o de consumo”, informou.

Para o diretor executivo da Solomon’s Brain,Guto Ferreira, os efeitos mais fortes nas bolsas mundiais devem ser sentidos somente se a epidemia se tornar global. “Por hora o impacto é mais pelo susto do que por algo que pode se tornar uma crise econômica. Caso se torne epidemia global, aí sim poderá ter impacto mais permanente nas bolsas”, pontua.

Feriado prolongado pode ser prorrogado

A China já prorrogou o feriado do ano novo chinês até 3 de fevereiro, até lá o mercado financeiro do País asiático segue fechado estrategicamente. O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, lembra que caso os mercados chineses não estivessem fechados teríamos impactos ainda maiores. “Outra coisa importante para o mercado, é que o recesso de ano novo na China está sendo cada vez mais prolongado, oficialmente fala-se na volta no dia 3 de fevereiro, porém algumas províncias já mudaram essa data e é provável que o feriado seja estendido. A reabertura pode gerar impactos gigantescos nas bolsas chinesas, afinal, os mercados tendem a querer corrigir todo esse tempo parado pelo coronavírus, retirando aportes importantes das bolsas chinesas. Por isso, o governo Chinês está tentando fazer é posterg ar isso até que exista uma melhora na situação, os efeitos podem ser catastróficos”, diz.

Enquanto o financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira, Fabrizio Gueratto, reforça que, justamente pela dificuldade em confiar nas informações, pode ser que o mercado esteja reagindo. “Como o mundo inteiro sabe, a China controla com mão de ferro as informações que entram e saem do país. Então, é impossível confiar 100% que os dados que estão sendo passados são corretos. Como mercado financeiro, geralmente, sabe de tudo antes de todo mundo, pode ser que as qued as nas p rincipais bolsas sejam reflexo de uma situação que é pior do que tem sido divulgado na mídia hegemônica", finaliza.

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