Economia

MERCADO FINANCEIRO

Dólar tem terceira alta seguida, fecha em R$ 5,90 e bate novo recorde

Real teve pior desempenho entre as principais moedas de mercados emergentes

O dólar engatou a terceira alta seguida e operou boa parte desta quarta, 13, acima dos R$ 5,90. Dos oito pregões de maio, a moeda americana caiu em apenas um e já acumula valorização de 8,5% no mês e de 47% no ano, com o real ficando com o pior desempenho entre as principais moedas de mercados emergentes. O alerta do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, do risco da falta de liquidez se transformar em problema de solvência para empresas e bancos ajudou a piorar os mercados e fazer o investidor buscar refúgio no dólar. No mercado doméstico, novamente questões políticas pesaram, contribuindo para ampliar o ritmo de alta e fazer a divisa dos Estados Unidos fechar em novo nível recorde.

O dólar à vista encerrou com valorização de 0,55%, a R$ 5,9008. No mercado futuro, o dólar para junho era negociado em R$ 5,91 às 17h40. No final da tarde, o Banco Central fez o segundo leilão de swap cambial do dia, ofertando US$ 500 milhões, conseguindo arrefecer a alta da moeda americana, que antes do anúncio operava na casa dos R$ 5,94. Este foi o quarto leilão de swap da semana, com injeção no mercado de US$ 1,835 bilhão.

Desde a segunda-feira, 11, havia enorme expectativa pelas declarações de Powell. O dirigente descartou juros negativos nos EUA, disse que o governo precisa de mais estímulos fiscais e ainda alertou que a recuperação da economia americana pode demorar algum tempo, o que amplia os riscos de que problemas de liquidez se transformem em uma crise de solvência. "O cenário econômico é altamente incerto", disse Powell. Nas palavras dos analistas do ING, o discurso de Powell trouxe um "choque de realidade" para os mercados, que estavam nos últimos dias animados com a perspectiva de reabertura das atividades.

No mercado doméstico, o noticiário político segue o principal foco de atenção das mesas de câmbio. O estrategista e sócio da TAG Investimentos, Dan Kawa, observa que, além de um "cenário externo desafiador", o cenário local é turbulento, com a saída de Sergio Moro do governo continuando a gerar ruídos e ainda a relação tensa entre os três poderes. Sem uma mudança do ambiente político, Kawa avalia que o curto prazo vai seguir desafiador por aqui.

Bancos continuam a revisar para baixo suas projeções de Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e para cima a do dólar. Hoje foi a vez do Bank of America, que vê o PIB caindo 7,7% este ano e chance "fácil" de o dólar superar o nível de R$ 6,00 no curto prazo. O banco revisou para cima a estimativa de dólar ao final do ano de R$ 5,20 para R$ 5,85, por conta da deterioração do cenário político e econômico. O Commerzbank também elevou sua projeção para o dólar e vê a moeda americana batendo em R$ 6,05 no mês que vem.

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