Cidades

CORRUPÇÃO NO JUDICIÁRIO

OAB vai investigar advogado envolvido em esquema de venda de sentença

OAB vai abrir processo ético disciplinar contra advogado que atuava em conjunto com juiz

Eduardo Miranda

13/05/2020 - 16h47

A Secional Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) vai instaurar processo ético-disciplinar para apurar a conduta do advogado Wilson Tavares de Lima, citado na denúncia em que o juiz Aldo Ferreira da Silva Junior, que está afastado do cargo desde novembro de 2018, foi enquadrado nos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, por meio de venda de sentenças (decisões judiciais).  

Tavares, conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, também integra o esquema chefiado pelo juiz, que teria montado um grupo para cometer diversos crimes nas varas judiciais que atuou desde 2012. O grupo, ainda segundo a denúncia, continuou a cometer os crimes de que são acusados, mesmo após investigação aberta pela Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.  

“As informações chegaram ao nosso conhecimento por meio de reportagem do Correio do Estado. Invariavelmente, tudo que chega ao conhecimento da Ordem (OAB), havendo indícios de irregularidades da atuação do profissional, a gente instaura o processo ético”, explicou o vice-presidente da OAB-MS, Gervásio Alves de Oliveira Júnior.

Gervásio é responsável pelas denúncias de desvios éticos dos advogados na OAB de Mato Grosso do Sul. “Vamos requisitar as provas do processo e também a denúncia do Ministério Público”, informou o vice-presideente.

Caso seja punido ao final do processo, Wilson Tavares de Lima pode perder sua inscrição na OAB, e não mais atuar como advogado. A expectativa de Gervásio é de que o processo ético disciplinar tenha duração de até 1 ano.  

BALCÃO

Segundo o Ministério Público, o juiz utilizou as varas onde trabalhou como “balcão de negócio” para enriquecer e ocultava o dinheiro em revendas de carro e no mundo do agronegócio. Tanto na Vara de Sucessões quanto na Vice-Presidência do TJ-MS, onde atuava nos precatórios, o juiz aplicava diversas medidas para benefício próprio.

Para isto, utilizou os talentos do advogado Wilson Tavares de Lima e de Jesus Silva Dias, que já foi condenado por tráfico e fingia ser gerente de fazenda em Rochedo. O trio teria atuado para evitar que uma antiga condenação de Jesus o fizesse cumprir pena em Minas Gerais e trataram de encontrar sua salvação falsificando documentos para comprovar que ele era funcionário da fazenda.

Os talentos de Wilson e Jesus, conhecido como o “homem de confiança do Aldo”, se juntaram ao garagista Pedro André Scaff, cujas lojas de revendas de carro utilizavam cheques assinados pelo juiz para manter o fluxo de caixa. De 2013 a 2018, o juiz teria recebido da garagem o valor de R$ 709 mil reais. Já da empresa de Wilson, o escritório de advocacia, o valor total foi de R$ 1,3 milhão.

ESPADA DA JUSTIÇA

Em outubro do ano passado, o Gaeco deflagrou a Operação Espada da Justiça e encontrou diversos cheques de juiz Aldo na casa do garagista Pedro Scaff. Os cheques continham anotações como “Jesus vai pagar”, “troca para Jesus”, “Civic Jesus”, provando que Jesus era o tesoureiro do grupo, ao mesmo tempo em que dizia para a Justiça que trabalhava em tempo integral como gerente de fazenda em Rochedo.

A dupla Wilson e Jesus também entrava em contato com advogados e herdeiros para oferecer vantagens nos processos que corriam na Vara de Sucessão da Capital. O procedimento era tamanho, que se ofereciam fazendas de outros inventários para compra e venda de terceiros envolvidos em outras ações.

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