Puxada pelos reajustes dos combustíveis no acumulado dos últimos doze meses, a inflação de Campo Grande tem o pior índice, de 8,24%, e é a segunda maior do Brasil, acima da média nacional.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do País, terminou o terceiro mês do ano na Capital em 0,96%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, avalia que, em virtude do avanço da inflação, o poder de compra da população é impactado, tendo como resultado a dimwinuição do consumo, entre outros fatores.
“A inflação tem diversos impactos e consequências para a população, sendo um dos principais a redução do poder de compra, ou seja, o que se comprava antes está custando muito mais caro. Os consumidores que possuem rendimentos de um salário mínimo ou tiveram a renda afetada pela pandemia terão de utilizar a criatividade, fazer substituições e listar as prioridades para amenizar os impactos dos valores elevados”, explicou a economista ao Correio do Estado.
Conforme o levantamento, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados em Campo Grande, sete tiveram alta em março.
O economista Rafael Ribeiro destaca que a alta simultânea de vários setores influencia o custo de vida e no orçamento de milhares de famílias, que precisam organizar as finanças e elencar prioridades.
“Isso acontece por causa da pandemia do coronavírus, que impacta a economia do País, tivemos também a valorização do dólar ante o real, além do encarecimento de diversos insumos que são importados, tudo isso influencia na conta final, que é repassada para o consumidor. Quando vários segmentos registram alta, significa que o poder de compra de vários grupos está aumentando em conjunto, o que dificulta o consumo para o consumidor”, destacou.
O índice de Campo Grande foi o maior do País em 2020, 6,85%, e o mais alto registrado pela Capital desde 2016, quando a inflação foi de 7,52%. Em 2017, o IPCA fechou em 2,11%, em 2018, foi a 2,98%, e em 2019 subiu 4,65%. No acumulado de 2021, a inflação de Campo Grande tem um índice de 2,43%, sendo o quinto maior do País, abaixo somente de Curitiba, com 2,71%, Distrito Federal, com 2,69%, Fortaleza, com 2,59%, e Vitória, com 2,55%.
MENSAL
Em março, o resultado foi influenciado pelos reajustes da gasolina na Capital. A variação mensal do grupo transportes foi de 4,47%, o décimo aumento consecutivo, sendo o maior do mês. O etanol registrou aumento de 17,5% e a gasolina sofreu reajuste médio de 11,5%.
Daniela Dias pontua que a alta do combustível impacta diretamente o orçamento da população, visto que boa parte do transporte de cargas no Brasil é feita por rodovias.
“O aumento dos combustíveis influencia no transporte de mercadorias e também em relação aos demais insumos que compõem a estrutura, tudo isso é repassado para o consumidor, o que acaba causando uma ação inflacionária em diversos outros itens”, alegou a economista.
Vestuário vem na sequência, como o segundo grupo com maior impacto na inflação, com alta de 0,95%. Habitação foi o terceiro grupo com maior variação, de 0,66%, impactado principalmente pelas altas nos subitens de mudança (7,94%) e o gás de cozinha (4,25%).
O preço do gás de cozinha é o que mais tem pesado no bolso do consumidor no ano, acumulando inflação de 13,08% no trimestre e de 20,34% nos últimos 12 meses.
O grupo de saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,35%, sob influência de produtos farmacêuticos (2,11%), plano de saúde (0,73%) e o de serviços laboratoriais e hospitalares (0,56%). O grupo dos artigos de residência apresentou aumento de 0,17% na Capital, enquanto o de comunicação subiu 0,22%.
“Se antes se gastava R$ 100 com uma determinada quantidade de produtos, agora, para comprar esses mesmos itens, é necessário muito mais dinheiro, afetando a quantidade e a qualidade da cesta de alimentos, produtos de limpeza e diversos outros serviços. Para equilibrar o orçamento, a população tem buscado trocar alguns produtos mais caros por opções mais em conta”, explicou Rafael.
De acordo com o IBGE, entre os itens que aliviam o bolso dos campo-grandenses, o grupo alimentação e bebidas registrou queda pelo quarto mês consecutivo, de 0,96%, assim como educação, que registrou -0,62% após a alta de 3,74% observada no mês anterior.
A alimentação no domicílio apresentou queda de 1,26%, influenciada principalmente pelo recuo nos preços do tomate (-25,50%), da batata-inglesa (-18,66%), do arroz (-4,5%) e do óleo de soja (-2,07%). Por outro lado, os ovos de galinha (7,02%) seguem em alta.
Já a alimentação fora do domicílio teve uma queda de 0,04%, impactada pelo recuo nos preços do lanche (-1,79%) e da cerveja (-0,98%) e a alta de refeição (0,69%).
Em educação, os cursos diversos tiveram alta de 0,28%, enquanto os preços dos cursos regulares caíram 1,07%, influenciados especialmente pelo resultado do Ensino Superior (-3,26%).
BRASIL
Em nível nacional, com o resultado de março, a inflação ficou em 0,93%, acima da taxa de 0,86% registrada em fevereiro. A taxa também é a maior para o período desde 2015, quando ficou em 1,32%.
Em virtude dessa aceleração, o acumulado em 12 meses estourou o teto da meta do governo para a inflação no ano, algo que não acontecia há quatro anos.
No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% e nos últimos 12 meses a inflação acumula alta de 6,10%. Os principais impactos na inflação do mês vieram dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).
A maior inflação foi registrada em Goiânia (1,46%), enquanto que o menor índice foi apontado em Recife (0,62%).