Algumas regiões de Mato Grosso do Sul enfrentam 40 dias sem chuvas. A estiagem já impacta em perdas de 30% na safra de milho 2020/2021. Com um resultado menor no milho safrinha, outras produções, como suinocultura e avicultura, devem sofrer com altos custos e, consequentemente, alimentos chegarão mais caros ao consumidor.
O desenvolvimento da cultura já apresenta resultados preocupantes, como o aparecimento de espigas sem grãos (não granadas). De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, o alerta de crise hídrica aponta para um período ainda mais seco.
“Com a falta de chuvas, já temos consolidada uma perda de 30% na safra de milho que está prevista para este ano. Essa é uma consequência imediata da crise hídrica”, explica Verruck.
PREJUÍZOS
Conforme o último levantamento do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), projeto realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MS), e da Semagro, além do período seco, algumas regiões sofreram com a geada que já culmina em grandes prejuízos.
Segundo o boletim, a área é estimada em 2 milhões de hectares, com produtividade média de 75 sacas por hectare e produção de 9,013 milhões de toneladas. “A área de milho está sendo revisada pelo projeto, até o período de colheita será divulgada a confirmação da área plantada do Estado”, informa o relatório.
O presidente da Aprosoja-MS, André Dobashi, ressalta que o deficit hídrico é enfrentado pela cultura desde meados do mês de março. “O deficit hídrico é uma realidade que os produtores estão tendo de conviver nesta safra. Temos relatos de lavouras que chegaram até 40 dias sem uma gota de água”.
Algumas lavouras do Estado já registram perda total por conta da estiagem e da queda de granizo. “Alguns produtores já planejam gradear a cultura do que colher, haja vista que o custo com a operação das máquinas, sem perspectiva de produção, inviabiliza a continuidade do cultivo”, aponta Dobashi.
As regiões oeste e centro possuem as piores condições das lavouras, juntas representam 85% da área plantada do Estado. As regiões sul, sudeste e sul-fronteira enfrentaram entre os dias 29 e 30 chuvas fortes com granizo, provocando o acamamento e desfolha em algumas lavouras.
O prognóstico de precipitação acumulada indica que em junho é previsto até 130 mm de acúmulo para o mês e em julho até 80 mm. A precipitação indicada é menor que a demanda hídrica exigida pela cultura no desenvolvimento do seu ciclo.
Últimas notícias
AVES E SUÍNOS
Com a redução da oferta de milho – enfrentada não só por Mato Grosso do Sul, mas por outros estados produtores – e alta demanda pela commoditie, os preços do grão devem subir nos próximos meses, afetando a produção de alguns alimentos.
Em um ano, a saca de 60 kg do milho registra valorização de 132,10%. O preço médio de maio de 2021 chegou a R$ 92,26 ante o valor médio de R$ 39,75 no mesmo período de 2020.
“Existe uma demanda muito forte de crescimento do consumo de milho, portanto, os preços vão ficar sustentados. Nos preocupa essa pressão de custo que vamos ter sobre a avicultura, suinocultura e a própria bovinocultura, dado que o milho está realmente em um preço elevado. Isso ocorre não somente em Mato Grosso do Sul, mas no Brasil. Devemos ter uma quebra de safra substancial em MT, MS, PR e GO”, avalia Verruck.
De acordo com o boletim técnico, Mato Grosso do Sul possui boas condições em 6% de suas lavouras, 71% em estado regular e 23% ruim.
“Aves de corte e suínos consomem cerca de 85% do milho destinado à ração animal”, detalha Dobashi, ressaltando que, com a redução da produção, a oferta de milho no Estado será menor, enquanto que a demanda deve permanecer elevada.
ALIMENTOS
Assim como os preços das carnes, alimentos também ficarão mais caro em consequência da estiagem. Segundo a economista Daniela Dias, a restrição de chuvas diminui a oferta de produtos no campo, encarece a energia elétrica e, consequentemente, os produtos industrializados também sofrem impacto.
Uma das formas que a crise hídrica pode afetar a economia é na oferta de alimentos. “Quando a gente fala que os alimentos estão com custo mais elevado por conta da crise hídrica é porque a água é um dos principais elementos para a produção de energia elétrica e também uma fonte necessária para a plantação e para a irrigação lá no início da cadeia produtiva”, diz Daniela
Finaliza dizendo: “E até mesmo no processo de industrialização, de processamento, que a gente também necessita da energia elétrica, podemos ter diversos impactos inflacionários e até em aspectos produtivos”. (Colaboraram Beatriz Magalhães e Rafaela Moreira)