Após meses em alta, a cotação do dólar recuou significativamente nas últimas semanas. Na última cotação, a moeda americana subiu pelo quarto pregão seguido, atingindo a máxima em duas semanas e mantendo-se acima de R$ 5. Com isso, o Correio do Estado entrevistou economistas para entender quem ganha e quem perde com o dólar em queda.
No dia 14 de maio foi registrada a maior taxa média do ano, sendo de R$ 5,97, segundo as negociações registradas pelo Banco Central. Em contrapartida, no dia 24 de junho, a moeda norte-americana recuou 1,12%, e foi cotada a R$ 4,963, sendo o menor patamar de fechamento desde 10 de junho de 2020 (R$ 4,9334), data que também marcou a última vez que o dólar fechou abaixo de R$ 5.
Quem ganha com a queda do dólar
Alimentos e combustíveis estão entre os segmentos mais impactados pela elevação do dólar nos últimos meses, sendo refletido pela inflação no país.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumula valorização de 8,06% no país em 12 meses, a maior desde setembro de 2016. A projeção do mercado financeiro, no relatório Focus, do Banco Central, é de que o ano termine com uma alta de 5,97%.
De acordo com a economista Andrea Melo, a queda do dólar em relação à moeda brasileira pode afetar desde as coisas mais simples, como o preço do pão, até as mais complexas como a atividade exportadora. Segundo ela, a alta do dólar afeta diretamente a vida das pessoas, para o bem e para o mal, e reflete no bolso do consumidor
“O dólar está aquecido frente ao real impacta diretamente no orçamento da população. Em razão disso, com isso, a tendência é de que os preços fiquem ainda mais elevados, temos toda uma cadeia impactada”, destacou Andreia.
Contudo, a especialista destaca que mesmo com o recuo histórico registrado nos últimos dias, o consumidor não deve notar queda nos preços finais dos produtos por agora.
A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, destaca que a valorização da moeda norte-americana contribuiu para manter a elevação de diversos insumos para toda a população.
“A valorização do dólar frente ao real diante do dinamismo que tivemos no Brasil, faz com que tenhamos o encarecimento de diversos insumos, gasolina, alimentação, que são importados, tudo isso influencia na conta final que é repassada para o consumidor e para a economia do país, assim como de Mato Grosso do Sul”, pontuou a economista.
Além disso, empresas que necessitam de insumos exportados também são prejudicadas, uma vez que elas devem optar por passar os maiores custos de produção para o consumidor (o que pode diminuir as vendas) ou diminuir sua margem.
Além disso, há outros casos nos quais essa relação é mais direta, como nos produtos eletrônicos, como celulares e computadores: esses itens são produzidos no exterior e o produto final é importado pelo Brasil.
Quem perde com a queda do dólar
A desvalorização do real não é sempre um fator negativo, principalmente em âmbito da macroeconomia. Como exemplo, quando há uma apreciação da moeda americana em relação ao real, isso acaba por beneficiar o setor exportador.
Andrea Melo destaca que a soja, o café, o açúcar e o milho, por exemplo, mesmo sendo produzidos no país, se tornam vantajosos para o produtor quando o dólar está em alta, visto que, quem exporta recebe pagamentos na moeda americana.
“Para quem exporta externamente e vende lá fora a alta do dólar é extremamente favorável, pois a empresa brasileira acaba recebendo mais. Produtos como celulose, soja, carne bovina, milho, carne de frango e açúcar, têm alta demanda no cenário internacional, e o atual valor da moeda, o que favorece os segmentos exportadores”, destacou.
Conforme o levantamento divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Mato Grosso do Sul fechou 2020 com alta de 11,32% nas exportações em relação ao ano anterior. O estado ocupa a 12° colocação no ranking dos estados que mais exportam.
Em 2020, as exportações somaram US$ 5,808 bilhões, enquanto em 2019 foram vendidos US$ 5,217 bilhões em produtos.
Conforme balanço, em Mato Grosso do Sul, 10 municípios respondem por 83,5% de tudo o que é enviado para outros países. Três Lagoas lidera o ranking com participação de 41,8% devido à celulose, seguido por Dourados com 11,9%, Campo Grande com 9,12, Corumbá com 4,84% e Chapadão do Sul com 3,86%.