Economia

EDUARDO RIEDEL

"O bom momento de Campo Grande impulsiona o Estado"

Gestor do Prosseguir falou sobre a retomada econômica na Capital, investimentos, e sobre os desafios da cidade para os próximos anos

Alex Nantes

26/08/2021 - 07h30

Com 67% da população já vacinada contra a Covid-19 com a primeira dose, e com 43% dos moradores já completamente imunizados, Campo Grande acompanha o mesmo ritmo de vacinação de Mato Grosso do Sul. 

Assim como a liderança do Estado no ranking das unidades da federação que mais vacinam tem ajudado MS a retomar a normalidade, na Capital não é diferente. 

Gestor do programa Prosseguir, o secretário de Infraestrutura Eduardo Riedel conversou com o Correio do Estado sobre os avanços no controle da pandemia, e sobre o avanço dos investimentos em infraestrutura. 

Segundo Riedel, a retomada da geração de empregos, sobretudo no setor de serviços (o mais prejudicado no auge da disseminação do novo coronavírus), mostra que os números da Capital estão contribuindo fortemente para que a atividade econômica volte ao normal. 

O secretário também falou sobre os desafios da Capital para os próximos anos. Confira a entrevista:

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CORREIO DO ESTADO – Qual a importância de Campo Grande para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul?

EDUARDO RIEDEL – Campo Grande é a nossa capital, a cidade líder do estado, centro politico e administrativo, onde roda parte relevante da nossa economia e é, também, a referência da nossa produção cultural. 

É, portanto, o espaço para onde convergem, naturalmente, todos os sul-mato-grossenses. E a cidade tem uma forte vocação para isso, para transformar essa sinergia em desenvolvimento e oportunidades. 

Tem sido assim desde o princípio: somos uma capital formada pelo suor e o trabalho de diferentes gerações de sul-mato-grossenses, mas também de mineiros e goianos, sulistas,  nortistas, árabes, japoneses, italianos… enfim.. um caldo de diferentes culturas que resultou nesse povo bom, solidário, trabalhador e hospitaleiro. 

Quando o Mato Grosso do Sul vai muito bem, como agora, Campo Grande também vai bem. E vai bem, porque tem investimento forte, tem responsabilidade compartilhada e espírito de cooperação para fazer o melhor pela cidade, independente das nossas eventuais diferenças de visão e até de posições políticas. 

O interesse da cidade e da sua população sempre vêm em primeiro lugar.

Sobre a eficiência da vacinação, isso já está se refletindo economicamente em Campo Grande? 

Certamente. Os números de geração de empregos do primeiro semestre refletem isso: 61% das novas vagas são na área de serviço e isso reflete direto do potencial que Campo Grande puxou em relação a retomada. Tudo isso só foi possível por conta da vacinação. 

A vacinação permitiu, em primeiro lugar, uma questão psicológica mesmo de tranquilidade para as pessoas, de confiança. Em segundo lugar, a questão é científica: quem está vacinado tem uma chance muito menor de ser internado se chegar a contrair a Covid-19. A vacinação propicia sim um retorno a normalidade. 

Agora muitas perguntas precisam ser respondidas, uma vez que no mundo inteiro temos visto novas variantes. Aqui não temos a Delta. Temos que monitorar, acompanhar e tomar as medidas conforme a evolução da situação, tanto sanitária quanto econômica. Por isso existe o programa Prosseguir, sempre avaliando o resultado dessas duas áreas.

Como os investimentos na Capital podem induzir o crescimento do restante do Estado?

Tenho convicção que há um forte sentido de troca entre os municípios, um fenômeno natural quando o ambiente é de forte crescimento e desenvolvimento – aí todo mundo ganha. 

Ao final, uma cidade influencia positivamente o desenvolvimento de outras cidades. E o resultado é a produção de um crescimento equilibrado e homogêneo. 

O bom momento de Campo Grande impulsiona o estado, assim como o crescimento das nossas cidades, de maneira geral, chega até aqui, à capital, em forma de consumo, novos investimentos e negócios.  E essa é a ideia-força: crescer todo mundo junto, sem deixar ninguém pra trás. 

Quais os planos do governo para Campo Grande para os próximos anos?

A cidade está crescendo a olhos vistos, como se esperava. Uma grande metrópole como a nossa, vai precisar manter um alto nível de investimento em infraestrutura, para dar suporte a esta expansão e é muito importante que o investimento e o crescimento aconteçam simultaneamente,  para haver a elevação do nível de qualidade de vida –  e esse é o nosso grande desafio. 

Acredito que Campo Grande precisa continuar reduzindo o seu grande déficit em pavimentação, e por isso nós somos parceiros nesta área desde o começo… desde o tapa-buracos inicial que recuperou toda a infraestrutura da capital. 

Agora, investimos nos grandes corredores de transporte e fomos para os bairros, melhorar a qualidade da infraestrutura. 

Penso que, ainda assim, os desafios são muitos: uma cidade deste tamanho tem a obrigação de repensar o seu sistema de transporte coletivo e fazer avançar muito mais o sistema de atendimento à saúde pública, sempre desafiador – e aqui também lembro os nossos importantes  investimentos em grandes hospitais da cidade, como o do Trauma e do Câncer e a regionalização da saúde no estado, que aliviou exponencialmente o polo de saúde da capital. 

Da mesma forma, a política habitacional precisa ser retomada logo. Poucos sabem, mas existem, de novo na cidade, mais de três dezenas de favelas e aglomerados, que não existiam até muito pouco tempo atrás. 

Estamos fazendo aqui investimentos em habitação e pavimentação no centro e nos bairros e recuperando equipamentos públicos importantes, como o Guanandizão. 

Vamos reformar o Morenão; o Palácio Popular e vários outros equipamentos culturais, como museus,  centros de cultura e teatro. Agora temos em andamento a reforma do Parque dos Poderes e vamos finalizar o Aquário. 

Olhando para o futuro, outra área que demanda atenção especial,  de uma gestão qualificada, é a da geração de empregos e renda. É crucial melhorar a qualidade dos empregos na cidade, que ainda pagam salários muito baixos. E aí vamos ter que agir para atrair investimentos mais qualificados e, na outra ponta, estimular uma vocação viva na cidade, que é o empreendedorismo.

Desde 2015 até hoje, o Governo do Estado já investiu em Campo Grande mais de R$ 770 milhões em infraestrutura, que incluem saneamento e habitação. Se for criado um relógio da Seinfra, podemos dizer que por dia, R$ 430 mil desses recursos foram ou estão sendo investidos em obras na cidade. 

A produção da Capital pode ir além de sua vocação para o setor de serviços?

A Capital pode tudo. E precisa ousar muito mais do que tem feito. Tem, por exemplo, um extenso espaço para a diversificação econômica, como, aliás, tem todo o estado. Aqui, há parques industriais prontos e ociosos, esperando por mais atividade; há diversas cadeias produtivas inteiras à espera de projetos de agregação de valor aos nossos produtos, e isso interessa muito ao nosso estado. 

Outro exemplo?  A localização estratégica da capital nos dá um potencial enorme para ser um hub importante de distribuição para todo o centro-oeste-sul. Poderíamos desenvolver uma estratégia para potencializar o turismo de negócios, com o melhor  ecoturismo do mundo acoplado, sinérgico. 

Ou seja, ganharíamos duplamente. E o empreendedorismo, sobre o qual tenho falado sempre. Trata-se de uma autêntica vocação ainda muito inexplorada, que pode se transformar em uma grande plataforma de produção de serviços e geração de ocupação e renda e não só de trabalho no formato tradicional. 

Enfim, há muita coisa a ser feita ainda. E isso demanda planejamento, projeto, investimento, sinergia com parceiros confiáveis e capazes de fazer tudo isso acontecer.

O Governo tem investido bastante em obras de pavimentação das rodovias estaduais, faz parte do plano para melhorar a logística do Estado?

Não tem crescimento aleatório… crescimento por acaso. Sem investimento não tem crescimento; sem crescimento não tem emprego e oportunidade;  sem oportunidade para todos não tem mais crescimento. É um ciclo virtuoso que acontece quando a gente cria o ambiente e as condições necessárias para acontecer – como agora.  

O plano de obras rodoviárias é absolutamente fundamental  para um estado que cresce a 5.8%, muito acima, portanto, que a média nacional. O ano que vem, vamos crescer a mais de 6%, com algo em torno de  40 bilhões em novos investimentos privados entrando no estado e 4,5 bi só em obras públicas. 

As pessoas às vezes não tem muita informação e clareza sobre o que está acontecendo aqui, no Mato Grosso do Sul: estamos vivendo uma verdadeira mudança de patamar. Não somos mais um modesto estado encravado no centro-oeste brasileiro. 

Somos o estado que mais vacina no Pais; o primeiro que vai vencer a pandemia; um dos poucos com um grande programa de retomada, de 800 milhões aos setores mais atingidos; o mais transparente; um dos que mais cresce e gera empregos; um dos cinco mais competitivos e sólidos, do ponto de vista fiscal. 

O terceiro mais seguro e o estado que mais devolve, em forma de obras e servicos, o que arrecada com impostos. Em poucos anos, surgiu um novo estado. Estamos trabalhando sem descanso para dar sustentação a este novo momento. 

Ainda em relação ao escoamento da produção, como tem avançado a retomada das ferrovias e a implementação da Rota Bioceânica?

São projetos gigantescos, que sempre estiveram adormecidos, apesar de serem ideias excepcionais. Agora,  finalmente,  estão saindo do papel.  Estamos vencendo cada uma das etapas complexas para que eles possam se tornarem realidade. 

E não é simples, porque não depende apenas do nosso governo. São projetos ou nacionais ou mesmo internacionais, como a Rota Bioceânica, que envolve 4 países. Em breve eles serão realidade…

Quais são os incentivos e o que o Estado pretende fazer para aquecer a economia nesse momento de retomada?

Já estamos fazendo o nosso dever de casa. 800 milhões de reais investidos nos setores mais atingidos pela pandemia - comércio, turismo e cultura, com auxílios, isenções fiscais e um grande programa de Microcrédito, sem juros e com aval do estado. 

É a contribuição do poder público para que estes segmentos que mais sofreram possam retomar, recomeçar. Há também outras iniciativas que ajudarm muito quem precisa produzir e mesmo as nossas famílias: um exemplo é  a redução do imposto sobre a energia para anular o impacto da bandeira vermelha, que é medida nacional. 

Outra iniciativa - a antecipação do 13o. E um portfolio de 4,5 bi em obras, que também aquecem a economia de todo o estado. Isso sem contar com os investimentos privados, que estão chegando a todo vapor. É a retomada mais poderosa do país, eu não tenho dúvida. 

No País, muito tem se falado sobre o quanto as questões políticas tem afetado a economia brasileira, com impacto na bolsa, na cotação do dólar. Mesmo diante desse cenário MS projeta ampliar o PIB em 2021 e 2022, como isso é possível? O perfil do Estado voltado a agropecuária influencia nessa perspectiva?

O Estado vive um momento único, especial. Fizemos as grandes reformas que só agora os demais estados estão fazendo. Isso elevou nossa solidez fiscal, nossa competitividade, nossa credibilidade e nossa capacidade de recuperação e retomada dos investimentos. 

Poucas vezes na nossa história, um governo, como o do Reinaldo, pôde fechar um ciclo de governança entregando tanta coisa importante ao mesmo tempo: 100% de oferta de energia; universalização do saneamento básico encaminhada, em curto prazo; saúde pública regionalizada, em processo de finalização; uma rede de mais de 100 escolas em tempo integral; cerca de 1000 quilômetros de novas rodovias; seguidas safras recordes, expansão sustentada das exportações; geração de empregos e renda – em seis meses o dobro dos empregos abertos no ano passado; abertura de 4,6 mil novas empresas, em plena pandemia. 

Estamos sendo apontados como a nova fronteira de crescimento do Brasil e precisamos aproveitar essa grande oportunidade. Ao contrário do que vem acontecendo no país, aqui a prioridade é o trabalho, não é a política, muito menos a conflagração entre os lados. 

Nossa agenda principal não deixa espaço para polêmicas inúteis: aqui é vacina no braço, auxílio pra quem precisa, recuperação de empresas e geração de empregos e mais renda.  (Colaborou Súzan Benites)

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