Após enfrentar a queda da oferta de gado para abate, em decorrência da estiagem, os frigoríficos enfrentam uma queda da produção nacional. A notícia de um caso suspeito de vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina), identificado em Minas Gerais, derrubou os preços da arroba e pode comprometer as exportações.
Conforme nota da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a produção em todo o País já foi reduzida nesta sexta-feira, com previsão de volta somente na quarta-feira. A paralisação não ocorre exclusivamente pela suspeita do caso da doença, mas também em decorrência do feriado de Sete de Setembro.
Ainda de acordo com a entidade, a decisão foi tomada pelos próprios frigoríficos. A Abrafrigo afirma que a paralisação acontece em todos os estabelecimentos de abate, e não somente nos que operam com exportações.
De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a decisão dos frigoríficos foi precipitada.
“Na minha avaliação, a paralisação dos frigoríficos em nível nacional foi precipitada e desnecessária. Não tem motivação para isso, porque nenhum país suspendeu a importação nesse momento. Uma consequência dessa ação foi a queda do preço da arroba”, disse Verruck.
“O Ministério [da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa] adotou os protocolos, e não sei quando vai sair a decisão, se vai ser positiva ou negativa, mas, mesmo assim, se for positiva é naquele animal", ressaltou o secretário.
"É um momento para termos calma, fazermos os protocolos adotados internacionalmente e retornarmos com os abates normais. Quando é atípico, o animal que desenvolve isso não é transmissível, não há risco no Brasil de termos vaca louca”, completou.
EXPORTAÇÕES
A China é um dos principais mercados para a carne brasileira e tem regras severas para aquisição do produto nacional. Com a suspensão dos abates, o envio para o exterior pode ser prejudicado.
“O risco hoje para a pecuária é que a conta da pecuária depende da exportação. Se tivermos que colocar tudo isso no mercado interno, realmente nós teríamos um problema de preço, de pecuária e de emprego”, analisou Verruck.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), Regis Luís Comarella, disse que o sindicato não vai se manifestar até que o Mapa tome uma decisão.
Conforme reportagem da Folhapress, o Mapa disse que casos em investigação são corriqueiros dentro dos procedimentos de vigilância estabelecidos. Afirmou ainda que medidas preventivas são adotadas imediatamente para garantir o controle sanitário. “Uma vez concluído o processo em investigação, os resultados serão informados”, apontou o Ministério, em nota.
PREÇOS
O reflexo com a suspeita da doença foi imediato no mercado, principalmente nos preços futuros. A arroba do boi gordo caiu 2,25% no mercado físico entre agosto e setembro.
Conforme dados da Scot Consultoria, em Campo Grande, a arroba saiu de R$ 310,50 no mês passado para R$ 303,50 nesta sexta-feira, valores para pagamento à vista e livre de Funrural. Já no pagamento a prazo, para 30 dias, a queda foi de 3,47%, saindo de R$ 316,50 no mês anterior para R$ 305,50 em setembro.
Em Dourados, o preço da arroba saiu de R$ 310,50 à vista e R$ 316,50 no pagamento a prazo para R$ 305,50 e R$ 307,50, respectivamente. Já em Três Lagoas a arroba do boi saiu de R$ 305,50 para R$ 300,50 na compra imediata, e para 30 dias caiu de R$ 311,50 para R$ 302,50.
Na Bolsa de Valores, a B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo tiveram queda a partir do anúncio da suspeita da doença (no dia 1º). No dia 31 de agosto, o vencimento para este mês era cotado a R$ 310, no fechamento desta sexta-feira caiu para R$ 295, para outubro foi de R$ 310,80 para R$ 297,05 e para novembro foi de R$ 319,95 para R$ 306,45 por arroba.