Principal parceiro comercial internacional de Mato Grosso do Sul, a China segue com o embargo de compra de carne brasileira. A paralisação foi anunciada após dois casos de vaca louca serem identificados no País. A suspensão ocorreu no dia 4 e completou 20 dias nesta sexta-feira.
É o maior período de embargo à carne bovina brasileira por parte do país asiático. Em 2019, também por um caso de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) ou vaca louca, as exportações ficaram suspensas por 13 dias.
De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, até o fim da tarde desta sexta-feira ainda não havia data definida para o fim da suspensão de importação da carne brasileira.
“Os frigoríficos habilitados não estão autorizados a enviar. A ministra Tereza [Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento] tem trabalhado fortemente nisso. A gente não vê nenhum motivo hoje para a não liberação [do retorno das exportações], mas não tem uma data definida ainda”, avaliou o secretário.
Ainda de acordo com Verruck, o embargo deve ser finalizado o mais breve possível.
“Acho que isso está muito próximo de se resolver porque não há motivação, pela característica que se teve da vaca louca [atípica], para se fazer restrição. Mas como era protocolo se restringiu, e isso fez com que caísse o preço da arroba do boi aqui. É fundamental que haja esse retorno”, afirmou o titular da Semagro ao Correio do Estado.
De janeiro a agosto, conforme dados do Ministério da Economia, o principal destino da carne bovina in natura sul-mato-grossense foi a China, com 24,26% da receita e o equivalente a 26,1 mil toneladas. O país asiático apresentou aumento de 96,8% em relação ao volume comprado do Estado em um ano.
Mato Grosso do Sul respondeu por 10,45% da receita brasileira com as exportações de carne bovina in natura e ocupou o quinto lugar no ranking nacional neste ano.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi questionado se há alguma perspectiva de retorno dos embarques de carne in natura para a China, mas até o fechamento da reportagem não houve resposta.
ARROBA
Dados da Scot Consultoria apontam que, em Campo Grande, o preço da arroba saiu de R$ 310,50 no mês passado para R$ R$ 293,50 nesta sexta-feira – válido para pagamento à vista e livre de Funrural –, retração de 5,47%. Já no pagamento a prazo, para 30 dias, a queda foi de 6,63%, saindo de R$ 316,50 no mês anterior para R$ 295,50 em setembro.
Em Dourados, o preço da arroba saiu de R$ 310,50 à vista e R$ 316,50 no pagamento a prazo para R$ 293,50 e R$ 295,50, respectivamente. Em Três Lagoas, a arroba do boi saiu de R$ 305,50 para R$ 283,50 na compra imediata, e para 30 dias caiu de R$ 311,50 para R$ 285,50.
As cotações do mercado futuro do boi gordo também tiveram queda. Na Bolsa de Valores, a B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram queda a partir do anúncio da suspeita da doença (no dia 1º).
No dia 31 de agosto, o vencimento para setembro era cotado a R$ 310 e, no fechamento desta sexta-feira, caiu para R$ 299,65. O vencimento de outubro foi de R$ 310,80 para R$ 300,35, o de novembro foi de R$ 317,80 para R$ 308,80 por arroba e o de dezembro saiu de R$ 319,95 para R$ 313,80.
O analista de comércio exterior Aldo Barrigosse acredita que, com a redução do volume exportado, o produtor também tem o risco de perder. “Poderemos ter uma redução no volume das exportações de carne, pois o mercado da China é o nosso maior comprador. Essa redução poderá provocar a redução nos preços pagos pela arroba do boi aos produtores”.
BOI CHINA
Conforme apurou o Correio do Estado, apesar da pausa nos abates, o chamado “boi China” continua sendo produzido em todo o País.
O boi produzido especificamente para envio à China deve ser nascido e criado em território brasileiro, ter no máximo quatro dentes incisivos permanentes, ter menos de 30 meses de idade no momento do abate, com Guia de Trânsito Animal (GTA) especificando a idade compatível, não ter indícios de febre aftosa e oferecer garantia de rastreabilidade.
A China paga, em média, US$ 79 pela arroba do boi, conforme dados do Ministério da Economia. Com o dólar custando R$ 5,34, a arroba valeria 421,86.
A confirmação dos casos de vaca louca ocorreu no dia 3: um deles, em um frigorífico de Belo Horizonte, Minas Gerais; e o outro, na cidade de Nova Canaã do Norte, em Mato Grosso.
Caso a China não retome a compra da carne brasileira até o dia 31, o embargo pode se estender por mais uma semana. No dia 1º de outubro é comemorado o National Day (Dia Nacional), data em que foi fundada a República Popular da China, em 1949, e também o começo de um feriado prolongado, que dura uma semana.