Economia

ECONOMIA

Alta do petróleo sinaliza inflação, derruba Bolsa e eleva dólar

Expectativa é de elevação de juros nos EUA e no Brasil

Rafaela Moreira

28/09/2021 - 13h33

A Bolsa de Valores brasileira caía 1,46%, a 111.913 pontos, e o dólar subia 0,79%, a R$ 5,4220, às 11h45 desta terça-feira (28), em um contexto de baixas nos mercados de ações do exterior devido à expectativa de inflação e consequente elevação de juros impulsionadas pela alta do petróleo.

O barril do Brent, referência para o setor petrolífero, atingiu US$ 80,75 (R$ 437,26) na abertura do mercado e se manteve nesse patamar. É o maior valor desde 16 de outubro de 2018, quando atingiu US$ 81,41 (R$ 440,83), segundo dados da Bloomberg.

À primeira vista, a elevação da commodity beneficia o mercado acionário brasileiro porque impulsiona as ações da Petrobras, que subiam 1,40% nesta manhã. Mas a alta também pressiona os preços dos combustíveis, com reflexos na inflação e na pressão política para que o governo interfira nos preços praticados pela estatal.

Nesta terça (28), a Petrobras anunciou aumentou de 8,9% no preço do diesel em suas refinarias, após 85 dias sem reajuste. O anúncio ocorre um dia depois de mais uma sequência de ruídos entre o governo e a estatal em relação aos preços dos combustíveis.

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Nesta segunda-feira (27), a as ações da Petrobras, que tinham iniciado o dia subindo quase 2% impulsionadas pela alta do petróleo, passaram a devolver os ganhos após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar ter se reunido com o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) para discutir formas de "diminuir o preço" de combustíveis "na ponta da linha".

Horas depois, a diretoria da estatal anunciou uma entrevista à imprensa para tratar do tema, o que inicialmente reforçou a preocupação do mercado sobre eventuais intervenções do governo.

O temor se dissipou ao início da entrevista, com a Petrobras reafirmando a política de preços ao explicar que os combustíveis podem sofrer novos reajustes.

Desde 2017, a Petrobras adota o PPI (preço de paridade de importação), sistema que vincula os preços praticados pela companhia à cotação internacional do petróleo.

Neste momento, diversos fatores colaboram para o aumento da demanda e a alta do petróleo, como a crise energética na China, a redução da produção no Golfo do México após a passagem do furacão Ida, a proximidade do inverno na Europa e a expectativa de aumento da demanda com a retomada econômica global no pós-pandemia.

"Há sinais de que a demanda está ultrapassando a oferta e esgotando os estoques", diz Júlia Aquino, especialista em investimentos da Rico.

"O gás natural atingiu uma nova máxima de sete anos nos Estados Unidos e na Europa, devido às preocupações com a oferta reduzida no inverno. Isso também impacta por aqui, e o preço da gasolina para o brasileiro está subindo", afirma Aquino.

A divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central indica que o país está a caminho de um longo ciclo de elevações da taxa básica de juros (Selic) para conter a inflação, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

"A autoridade reforçou a mensagem que o ciclo poderá ser longo o suficiente para que haja a convergência das expectativas de inflação para o horizonte relevante", diz.

"Assim, reforçamos nossa perspectiva de que a Selic será conduzida até 9,25% na primeira reunião de 2022".

A elevação da commodity também é um dos fatores de inflação global e, no caso específico dos Estados Unidos, a alta no custo de vida pode confirmar a elevação dos juros básicos a partir de 2022. 

Um dos reflexos disso para o Brasil é a valorização do dólar frente ao real, com reflexos na inflação e nos juros brasileiros.

"Estamos vendo esse aumento da expectativa de juros por lá muito por conta de um dólar se fortalecendo frente a moedas emergentes e pela alta das commodities", diz Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.

"Esses dois fatores combinados refletem na subida da inflação, e com isso, pode ser que o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] tenha que subir os juros da taxa básica para contê-la", analisa.

Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em baixa de 1,02%, 1,18% e 2,02%.

As baixas estão diretamente relacionadas à busca dos investidores por ganhos com títulos do Tesouro do Estados Unidos devido à expectativa de alta dos juros, segundo a Reuters.

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