A alta dos preços dos materiais não tem intimidado o setor de construção civil em Mato Grosso do Sul, que ainda continua aquecido.
É o que revela o presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul), Diego Canzi.
“Os materiais de construção continuam em alta, não tão acelerada quanto estava antes, mas continuam subindo. O setor de construção civil continua aquecido”, explicou.
Ainda de acordo com Canzi, também está ocorrendo a falta de materiais no mercado.
“Estamos com falta de material. A alta do dólar favorece a exportação dos produtos, e, com o mercado externo favorável, exporta-se muito material, ocasionando a falta no mercado interno e o aumento dos preços”, ressaltou.
Os preços dos terrenos também sofreram alta, tanto na hora de construir como para vender. De acordo com a Acomasul, neste ano, a alta foi de 20%.
“Teve aumento significativo nos valores dos terrenos. A ampliação do teto [do Casa Verde e Amarela] é necessária, diante da alta dos preços dos imóveis”, disse Diego Canzi.
Prova de que os insumos continuam aumentando é o boletim de preços do Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), que mostra aumento significativo de alguns materiais.
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Enquanto, nos meses de julho e agosto, o tubo de ferro galvanizado custava R$ 247,69, em setembro e outubro, subiu para R$ 312,86. Ou seja, aumento de 26,31%.
O tubo de PVC rígido leve (400 mm) saiu de R$ 279,90 para R$ 386,75 (38,71%) no mesmo período. O cabo de cobre nu (70 mm) de dois metros passou de R$ 65 para R$ 70 (7,68%).
O metro quadrado do piso cimentado saiu de R$ 8,74 para R$ 9,47 (8,35%), e o aço CA-60 fino saiu de R$ 15,35 para R$ 15,39 (0,26%).
ENTREGA
Segundo o presidente da Acomasul, com a falta do material, se o construtor não for organizado, a demora para a entrega da obra pode se estender por mais de três meses.
“No caso da obra, se é um construtor mais organizado, ele precisa se antecipar e ir comprando antes, para que a obra dele não atrase. Mas, se ele for seguir o ritmo normal, aumentaria em cerca de três meses o prazo”, explicou.
O construtor civil César Zanin é um dos que tem preferido se organizar para conseguir entregar a obra no prazo.
No entanto, ele ressalta que alguns materiais estão demorando a ser entregues.
“No meu caso, não atraso. Existe uma certa demora em alguns materiais. Concreto usinado, eles estão pedindo 25 dias para entregar, antes o prazo era de três dias; o tijolo era entregue em dois dias, hoje estão pedindo, no mínimo, 10 dias”, ressaltou.
Ainda conforme Zanin, os custos aumentaram, mas a avaliação do banco, não.
“Antigamente, a gente gastava R$ 100 mil e vendia por R$ 130 mil. Agora a gente gasta R$ 110 mil, e o banco continua avaliando por R$ 130 mil”, disse.
DESENVOLVIMENTO
Pesquisa do Perfil Socioeconômico de Campo Grande – Edição 2021, divulgada pela prefeitura da Capital, mostra que empresas de construção civil e atividades associadas aparecem entre as que apresentaram maior crescimento.
O número de estabelecimentos de serviços especializados em construção cresceu 489% em nove anos. Enquanto em 2010 eram 34, em 2019, passaram a ser 200.
Em 2020, durante a pandemia, o crescimento foi de 9,5%, fechando o ano com 219 empresas.
Já os estabelecimentos referentes à arquitetura e à engenharia passaram de 56 para 247 no mesmo período. Com isso, a variação foi de 341%. Em 2020, foram mais 37 empresas do segmento, passando para 284.
Os dados que integram o estudo são da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).
Outro dado que corrobora com o crescimento apontado pelo setor é o ranking do Doing Business subnacional, elaborado pelo Banco Mundial.
Ele aponta que Mato Grosso do Sul é o segundo ente federado do Brasil que mais emite alvarás para construção civil. No Estado, as análises foram coordenadas pela Semagro.
“O último relatório apresentado, que trata especificamente de alvarás de construção, mostrou que nós temos um dos menores níveis de procedimentos e de burocracia do País”, explicou o titular da Semagro, Jaime Verruck.
A secretaria estima que, este ano, o setor deva ser o principal gerador de empregos em Mato Grosso do Sul.
A Prefeitura de Campo Grande também implantou um novo modelo para aprovação de projetos arquitetônicos, denominado Alvará Imediato, por meio da Lei Complementar nº 361.
Com isso, o profissional acessa o sistema via internet, preenche os dados do projeto e, após o pagamento da guia de recolhimento municipal, entre 24 horas e 48 horas, é realizada a liberação e a emissão do alvará de construção.