Após a divisão no Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os cortes na Taxa Selic, o mercado financeiro enfrenta turbulência. O dólar registra forte alta e a bolsa de valores cai diante da desaceleração nos cortes de juros.
O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (9) cotado a R$ 5,142, com um aumento de R$ 0,075 (+1,01%). Desde a abertura, a cotação apresentou elevação, operando acima de R$ 5,15 na maior parte do dia, antes de desacelerar próximo ao fechamento. Na máxima do dia, por volta das 11h, atingiu R$ 5,17.
Apesar da alta de hoje, a moeda norte-americana acumula uma queda de 0,95% em maio. No acumulado do ano de 2024, apresenta uma valorização de 5,96%.
No mercado de ações, o índice Ibovespa fechou aos 128.188 pontos, registrando uma queda de 1%. Os setores mais impactados foram os relacionados ao consumo, como varejistas e companhias aéreas, além dos bancos.
Apesar de um dia relativamente tranquilo nos mercados internacionais, questões internas influenciaram a instabilidade financeira. A decisão dividida no Copom, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual por 5 votos a 4, foi recebida negativamente pelos investidores.
Há temores no mercado financeiro de que o Banco Central adote uma postura mais branda no combate à inflação, especialmente depois que os quatro diretores indicados pelo atual governo votaram por uma redução de 0,5 ponto percentual. O mandato do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, indicado pelo governo anterior e que desempatou a votação para o corte de 0,25 ponto, encerra-se no final do ano.
A diminuição no ritmo dos cortes prejudicou a bolsa de valores, já que os investidores preferem aproveitar a menor taxa de redução dos juros para realocar seus investimentos da bolsa para renda fixa, que oferece menor risco. Após seis cortes consecutivos de 0,5 ponto na Taxa Selic, o Copom optou por um corte de apenas 0,25 ponto na reunião de quarta-feira (8).