Economia

BENEFÍCIOS FUTUROS

Acordo entre Mercosul e União Europeia pode elevar PIB de MS em até 3%

Acordo já aprovado pelo Congresso deve abrir mercados para produtos locais e estimular investimentos industriais, diz Verruck

Eduardo Miranda

06/03/2026 - 08h20

O Produto Interno Bruto (PIB)de Mato Grosso do Sul poderá ter um ganho adicional de até 3% depois que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) entrar em vigor. A informação é do titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.

De acordo com o secretário, Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que mais se beneficiarão com a redução nas barreiras comerciais e nos entraves burocráticos no comércio entre os dois blocos econômicos.

Pelo acordo, o Mercosul eliminará 91% das tarifas aplicadas sobre produtos da UE ao longo de 15 anos, o que cobre 85% do valor das importações brasileiras de produtos provenientes da União Europeia.

Já os europeus eliminarão progressivamente, ao longo de 12 anos, 95% das taxas sobre exportações do Mercosul, equivalente a 92% do valor das importações europeias de bens brasileiros.

Na quarta-feira, o Senado aprovou a adesão brasileira ao acordo de livre comércio, restando agora apenas ao Poder Executivo – que foi quem participou das negociações – ratificar o acordo. Outros dois países do bloco sul-americano, Uruguai e Argentina, já aprovaram o acordo. Ainda resta o Paraguai.

Do lado europeu, ainda é necessária a aprovação no Parlamento Europeu, órgão da União Europeia. Apesar das críticas de alguns países, a expectativa é de que o acordo seja aprovado em breve também.

Conjuntura

Em entrevista ao Correio do Estado, Jaime Verruck explicou que o acordo é positivo para o Estado tanto para operações de exportação como para as de importação.

No caso das exportações, o Estado está bem posicionado para exportar proteína animal para a União Europeia, além de celulose.

“No caso da celulose, trata-se de um mercado de alto padrão de consumo, com preços internacionais até melhores”, explicou Verruck. O Estado também pode ganhar mercado – apesar das cotas estabelecidas pela União Europeia no acordo – na comercialização de carne bovina e de carne de aves.

“Também há o caso do couro, para o qual a estruturação deste acordo é relevante. Nós já exportamos couro para a União Europeia, sobretudo para a Itália”, explica.

Na outra mão, Mato Grosso do Sul tem incrementado as importações do bloco europeu nos últimos anos, sobretudo na aquisição de bens de capital de longa duração, investimento importante para industrializar uma região.

Boa parte da infraestrutura das megafábricas de celulose construídas nesta década, e dos projetos que devem sair do papel em breve, tem seus principais equipamentos produzidos dentro da União Europeia.

“A indústria brasileira ganha tanto na exportação de bens quanto na possibilidade de importação de equipamentos”, comenta Verruck.

“Na questão da importação, o acordo também é positivo. As máquinas das fábricas de celulose [essencialmente] vieram da Áustria e da Finlândia, com importações de US$ 1,7 bilhão”, revela o titular da Semadesc.

“A gente tem uma estimativa de que, com o acordo, pode gerar um adicional de 3% no PIB do Estado, oriundo basicamente do processo de exportação para a comunidade econômica europeia. Isso é extremamente positivo quando olhamos para essa situação”, acrescenta Verruck.

Geopolítica

A questão geopolítica torna o acordo do Mercosul com a União Europeia ainda mais relevante. Os conflitos recentes entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio, os quais Verruck coloca dentro de uma conjuntura de “Terceira Guerra Mundial”, mostram, segundo ele, como o Brasil está se posicionando globalmente.

“Quando se tem uma guerra como esta, a gente tem impacto diretamente na exportação de proteína, como frango e carne bovina, para essa região [o Oriente Médio], que é importante sob o ponto de vista de mercado para o Brasil e Mato Grosso do Sul”, analisa.

Segundo ele, os primeiros impactos já podem ser vistos na elevação do preço global do petróleo e – consequentemente – de seus derivados. A guerra também já impactou, imediatamente, nos preços de fertilizantes. “O Irã é um grande produtor de ureia e potássio”.

Verruck também lembra que o Brasil saiu recentemente de uma incerteza de mercado quanto à taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos (e que pode voltar neste ano). “Quando se olha para tudo isso, o acordo Mercosul-União Europeia se torna ainda mais relevante”, conclui.

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