Economia

Moeda americana

Dólar sobe 0,84% e fecha a R$ 5,04 com avanço de taxas dos Treasuries

Com mínima de R$ 5,0094 e máxima de R$ 5,0580, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,84%, a R$ 5,0405

Estadão Conteúdo

19/05/2026 - 19h00

O dólar subiu com força nesta terça-feira, 19, e voltou a superar o nível de R$ 5,00, acompanhando a onda de valorização da moeda norte-americana no exterior. Divisas emergentes sofreram com a escalada das taxas dos Treasuries, em razão do aumento dos temores de recrudescimento inflacionário. A manutenção do petróleo acima da marca de US$ 100, na esteira do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, alimenta apostas em alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-american) neste ano.

Ao pano de fundo externo desfavorável ao real somou-se o aumento dos ruídos políticos domésticos, com a desidratação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Primeira pesquisa eleitoral a captar os efeitos do "Flávio Day 2.0", levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou o senador com 41,8% das intenções de voto em simulação de segundo turno, mais de sete pontos porcentuais atrás do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com 48,9%.

O real figurou entre as divisas que mais perderam nesta terça em relação à moeda americana, ao lado do dólar australiano e do won sul-coreano. Operadores lembram que a moeda brasileira tende historicamente a apresentar oscilações mais agudas, o que torna difícil mensurar o impacto dos fatos domésticos sobre a taxa de câmbio em dias desfavoráveis aos emergentes.

Com mínima de R$ 5,0094 e máxima de R$ 5,0580, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,84%, a R$ 5,0405. A moeda norte-americana avança 1,77% frente ao real no mês, após desvalorização de 4,36% em abril. As perdas acumuladas no ano, que chegaram a superar 10% quando a taxa de câmbio ficou abaixo de R$ 4,90, na primeira quinzena de maio, agora são de 8,17%.

"O petróleo até caiu hoje, mas segue em nível bem elevado. A tendência é que não haja espaço para redução dos juros pelo Federal Reserve neste ano. Pode ser até que seja necessária uma alta. Isso pressiona as curvas de juros nos EUA e puxa o dólar para cima em todo o mundo", afirma o economista-chefe do Group Holding USA, Fabrizio Velloni.

As cotações do petróleo caíram de forma bem modesta, ainda sob impacto do recuo da segunda-feira de Donald Trump da intenção de atacar o Irã. O contrato do Brent fechou em queda de 0,73%, a US$ 111,28 o barril. No estilo "morde e assopra", Trump disse nesta terça que uma nova ação militar pode ocorrer na próxima semana se não houver um acordo com Teerã.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em leve alta e voltou a superar o nível dos 99,000 pontos, com máxima de 99,434 pontos. As taxas dos Treasuries subiram em bloco, com o yield do papel de 10 anos tocando 4,68% na máxima. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra chances majoritárias de uma alta de juros pelo Fed neste ano.

"A percepção predominante é de que uma inflação mais resistente reduziu significativamente o espaço para cortes de juros no curto prazo, aumentando inclusive os receios de uma postura mais conservadora do Fed no próximo encontro, sob a nova liderança de Kevin Warsh", afirma, em nota, o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.

Em relatório, o BTG Pactual observa que, apesar da depreciação recente, o real é "o principal destaque no acumulado do ano e continua a mostrar desempenho superior desde o início do conflito no Irã, preservando a visão construtiva de médio prazo" O banco pondera, contudo, que "o ponto-chave é que a assimetria de curto prazo se tornou menos favorável" e que o aumento dos "ruídos domésticos pode amplificar movimentos de correção".

Após a revelação de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do banco Master, para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, surgiu nesta terça a informação de que o pré-candidato fez uma visita a Vorcaro no fim de 2025. A reunião ocorreu após o ex-banqueiro deixar um período de dez dias de detenção. Flávio disse que, ao perceber a gravidade dos fatos envolvendo o Master, foi ao encontro de Vorcaro para colocar "um ponto final" na história do financiamento à produção cinematográfica.

"A candidatura de Flávio perdeu força e o mercado começa a cogitar se vai surgir uma terceira via e se ela teria força para superar o atual governo. A questão fiscal, que estava adormecida, deve voltar ao debate. Vamos ter mais volatilidade no câmbio à medida que as eleições se aproximarem", afirma Velloni.

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