O governo do Estado anunciou a antecipação do 13º salário dos servidores públicos. São R$ 250 milhões referentes à primeira parcela da gratificação natalina para 79 mil funcionários. Os recursos serão depositados no dia 2 de julho, mesmo dia em que os R$ 417 milhões dos vencimentos mensais cairão nas contas, somando R$ 667 milhões.
Além dos recursos da gestão estadual, conforme adiantado pelo Correio do Estado na edição do dia 26, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai disponibilizar R$ 1,488 bilhão até o começo de julho, somando a antecipação do décimo terceiro e a folha salarial de aposentados e pensionistas. São R$ 2,1 bilhões na economia estadual no período de dois meses.
De acordo com o doutor em economia Michel Constantino, os recursos devem acelerar o crescimento do Estado. “É um ótimo estímulo para a economia, ainda mais conjugado com outros estímulos que estão sendo realizados nas três esferas públicas. Essas medidas influenciam positivamente o comportamento de consumo e antecipam a recuperação econômica”, frisou.
O adiantamento dos recursos estaduais faz parte do pacote Retomada MS, com investimentos de R$ 763 milhões em incentivos econômicos para os setores que mais sofreram com a pandemia de Covid-19 no último ano.
A expectativa, segundo o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), é de movimentar o comércio local, setor fortemente afetado pela pandemia.
“A gente vai ter uma retomada mais rápida, com mais tranquilidade a esses setores mais impactados e, principalmente, às famílias mais necessitadas. Essa antecipação é fundamental, pois significa mais dinheiro circulando na nossa economia”, afirmou Azambuja.
Para o secretário de Infraestrutura (Seinfra), Eduardo Riedel, a entrada de recursos que não eram aguardados agora é de suma importância.
“Estimula os negócios, porque isso tem um efeito multiplicador. Imagine um negócio que está deficitário, está retomando, e entra um recurso que para aquele negócio por causa do uso do 13º. É difícil mensurar os efeitos para a economia, mas com certeza esse adiantamento tem um impacto muito grande”, disse.
O Executivo estadual vive um bom momento e ampliou as receitas em R$ 1,2 bilhão neste ano. De janeiro a maio, o Estado recolheu R$ 6,578 bilhões em tributos, alta de 22,79%, ante os R$ 5,356 bilhões registrados no mesmo período de 2020.
Segundo a secretaria de Administração (SAD), ainda não foi definida a data em que a gestão estadual pagará a segunda parcela do 13º salário.
CAPITAL
A Prefeitura de Campo Grande, no entanto, não trabalha com a possibilidade de adiantamento da primeira parcela do benefício tradicionalmente pago entre novembro e dezembro.
“Não pretendemos fazer isso”, afirmou à reportagem o secretário de Finanças do município, Pedro Pedrossian Neto.
O economista Marcio Coutinho acredita que é preciso considerar o momento financeiro da gestão pública para que a antecipação ocorra. “Temos de considerar como estão essas contas públicas desses entes. Dependendo da disponibilidade do caixa deles, se esses entes tiverem condições, seria uma boa alternativa para o mercado”, afirmou.
Segundo a gestão municipal, a arrecadação de Campo Grande tem demonstrado crescimento em 2021. A projeção é ampliar em 5% o Produto Interno Bruto (PIB) do município.
Conforme o demonstrativo da Receita Corrente Líquida (RCL), em 2020, a Capital arrecadou R$ 4,128 bilhões. Com o crescimento de 5%, a receita deve chegar a R$ 4,335 bilhões, incremento de R$ 206,441 milhões.
O doutor em Economia e professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Mateus Abrita acredita que a iniciativa poderia ser adotada pelos municípios de MS.
“Creio que prefeituras podem fazer estudos para verificar essa implementação, principalmente porque em alguns municípios menores o funcionalismo representa parcela significativa nos recursos gastos no comércio local e pode ajudar”, avaliou.
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