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AGRICULTURA

Atraso na colheita da soja pode prejudicar o milho safrinha no Estado

Setor produtivo está em alerta com a possibilidade de perder a melhor janela para a semeadura, que vai até 10 de março
20/02/2021 08:30 - Súzan Benites


A área colhida de soja safra 2020/2021 avançou 1,5%. De acordo com a estimativa do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), foram 54.675 hectares colhidos, atraso de 8,8% no comparativo com o mesmo período do ano passado. 

Segundo o setor produtivo, com o atraso da primeira safra, a semeadura do milho safrinha também não avança.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), André Dobashi, o excesso de umidade e o avanço de doenças de fim de ciclo têm preocupado o setor.

“Essa safra está bastante apreensiva para nós produtores. É uma safra que começou bastante seca, o produtor conseguiu recuperar o tempo na semeadura e colocou a safra bem posicionada ao longo dos meses de outubro e novembro. 

O mês de janeiro foi marcado por precipitações muito acima da média, com algumas regiões registrando 500 milímetros de chuva ao longo do mês, o que fez com que o ciclo da soja se alongasse bastante: a gente percebe muita soja que já era para estar com o ciclo definido e ainda está em formação, o que atrasou bastante a previsão de colheita do produtor. Estamos entrando no fim do segundo decêndio de fevereiro e não vemos mais que 1,5% colhido”, explica o presidente.  

Dobashi ainda aponta que o produtor está apreensivo com o avanço de algumas doenças de fim de safra. 

“[O excesso de chuvas] fez com que essas doenças de fim de ciclo evoluíssem nas lavouras. As ferrugens a gente não observou muito no campo, mas houve avanço em outras doenças de fim de ciclo, que foram favorecidas nesse período de alta umidade”, aponta.

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De acordo com o boletim Casa Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), “muitos produtores iniciaram a colheita a partir do dia 18 de fevereiro, diante das previsões de estiagem”.

RECORDE

Apesar das preocupações, as estimativas continuam mantidas e é esperada uma safra recorde. É estimado aumento de 7,55% na área colhida, passando de 3,389 milhões para 3,645 milhões de hectares.  

Já em relação à produtividade, também é esperada ampliação da quantidade de grãos colhidos. 

Conforme o boletim, a expectativa é colher 53 sacas por hectare. O acréscimo de produtividade deve ser de 2,35% no comparativo com o ciclo passado, saindo de 11,325 milhões de toneladas na safra 2019/2020 para 11,591 milhões de toneladas na safra 2020/2021.  

Segundo o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a estimativa de recorde para a safra é mantida.

 “A gente iniciou agora a colheita da safra e, pelas produtividades médias já obtidas, estamos estimando uma produtividade de 53 sacas por hectares – até o momento está acima disso. A gente está confirmando uma safra recorde, mas depende muito deste período de colheita”, explica o secretário.

Verruck ainda aponta que haverá uma aceleração na colheita a partir da próxima semana. 

“Será uma colheita acelerada, assim como foi o plantio acelerado em decorrência do atraso por causa da seca. Lembrando que nós temos 60% [da soja] comercializada, então, a partir do dia 22, você vai ver uma ativação muito forte de transporte rodoviário no Estado. 

Porto Murtinho, a partir desta semana, já começa a receber nos armazéns grãos para exportação: a movimentação da safra em função das condições climáticas será bastante positiva”, afirma Verruck ao Correio do Estado.