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Custos de produção da safra de soja 2016/2017 serão maiores

Pesquisa avaliou os preços para três modalidades de plantio de sequeiro

Redação

15/08/2016 - 15h02

Os preços dos insumos, em especial os das sementes, elevaram em mais de 11% os custos de produção da soja fabricada em sequeiro. Para a soja irrigada, o custo subiu 9,1%. A informação consta em Comunicado Técnico da Embrapa Agropecuária Oeste, divulgado na semana passada, referente à safra 2016/2017.

O custo de produção da soja RR2 é o maior entre os três sistemas cultivados no sequeiro, apesar da redução do número de aplicações de inseticidas, no controle de pragas aéreas da cultura, conforme o estudo feito pelo pesquisador Alceu Richett. O custo elevado é decorrente, principalmente, do preço da semente, no qual está incluso o valor da taxa tecnológica.

O cultivo de soja de sequeiro na safra 2016/2017 será viável economicamente desde que os preços pagos ao produtor fiquem acima de R$ 54,41 por saca de 60 kg, aponta o trabalho. 

Para o produtor de soja irrigada, o preço da saca não pode ser inferior a R$ 39,90. Mantendo-se o valor nesses patamares, o ponto de nivelamento ou a quantidade de soja a ser produzida no sequeiro deverá ser de 41,91 sc/ha e de 52,25 sc/ha com a soja irrigada.

O custo de produção da soja cultivada no sequeiro é, em média, 11,6% superior quando comparado com o da safra 2015/2016. Na soja irrigada, essa superioridade é de 9,1%.

SOJA CONVENCIONAL

Mostra o estudo que a estimativa do custo total da soja convencional, por hectare, é de R$ 2.784,66. O custo operacional, que é composto pelos insumos, pelas operações agrícolas, pelos custos administrativos e pelas depreciações representa 73,9% do total, correspondendo a R$ 2.053,57 por hectare. A remuneração dos fatores de produção, entendida como custo de oportunidade, representa 26,1% do total, somando R$ 731,09, por hectare.

Os insumos, com 47% de participação, impactam fortemente o custo total. As operações agrícolas, que englobam a manutenção das máquinas e dos equipamentos, combustível e a mão de obra, correspondem a 16,9% do custo total.

O custo total médio por saca produzida é de R$ 55,69, enquanto para cobrir os custos de produção são necessárias 42,91 sc/ha.

SOJA TRANSGÊNICA RR1

A estimativa do custo total da soja transgênica RR1, por hectare, é de R$ 2.720,59. O custo operacional (insumos, operações agrícolas, custos administrativos e depreciações) representa 73,4% do total, correspondendo a R$ 1.991,66 por hectare. A remuneração dos fatores de produção atinge 26,6%, somando R$ 728,93 por hectare.

Os insumos utilizados no processo produtivo da soja RR1 correspondem a 45,9%, enquanto as operações agrícolas atingem 17,3%.

O custo total médio por saca produzida é de R$ 54,41, enquanto para cobrir os custos de produção são necessárias 41,92 sc/ha.

SOJA TRANSGÊNICA RR2

A estimativa do custo total da soja transgênica RR2, por hectare, é de R$ 2.885,97. O custo operacional representa 74,5% do total, correspondendo a R$ 2.151,44 por hectare. 

A remuneração dos fatores de produção representa 25,5% do total. Os insumos têm forte impacto no custo de produção, atingindo 49,3%, e as operações agrícolas correspondem a 15,5% do custo total.

Para cobrir os custos de produção da soja RR2, são necessárias 44,47 sc/ha, enquanto o custo total médio por saca produzida é de R$ 57,72.

SOJA RR1 IRRIGADA

A estimativa do custo total da soja RR1 irrigada, para a safra 2016/2017, na região sul de Mato Grosso do Sul, por hectare, é de R$ 3.391,12. O custo operacional, que engloba os insumos, as operações agrícolas, a irrigação, os custos administrativos e a depreciação, representa 72,3% do total, correspondendo a R$ 2.453,36, por hectare. 

A remuneração dos fatores de produção representa 27,7% do total. Os insumos têm o maior impacto no custo total, correspondendo a 45,6% enquanto as operações agrícolas atingem 15,9%. Ressalta-se que a energia elétrica consumida durante o ciclo de irrigação representa 8,9% do custo total.

ELEVAÇÃO DOS CUSTOS

Avaliou-se, em valores nominais, a evolução do custo total da cultura da soja convencional, RR1 e RR2, nas safras 2014/2015 a 2016/2017.

No período analisado, houve aumento do custo na ordem de 28,8% na soja convencional, de 26,4% na soja RR1 e de 26,5% na soja RR2. Esses aumentos podem ser explicados pelas variações dos preços de mercado das máquinas agrícolas e dos insumos.

INSTRUMENTO IMPORTANTE

A determinação dos custos de produção agrícola permite avaliar a rentabilidade, a lucratividade e a eficiência do sistema de produção adotado pelo produtor rural. O conhecimento da lucratividade e da rentabilidade das atividades econômicas é indispensável para qualquer propriedade, independentemente do tamanho, do ramo de atuação ou sistema de produção adotado. Por isso, é importante a utilização desse instrumento oferecido pela pesquisa.

Além disso, são necessárias as avaliações técnicas para o efetivo desenvolvimento de uma agricultura competitiva e autossustentável.

No levantamento feito pelo pesquisador da Embrapa, foram considerados quatro sistemas de produção de soja, sendo três cultivados em regime de sequeiro e um sob condições de irrigação. Os cultivos se diferenciam pelas características tecnológicas das cultivares utilizadas, sendo o primeiro com soja convencional; o segundo com soja modificada geneticamente com tecnologia Roundup Ready, denominada soja RR1; o terceiro com a tecnologia Bt+Roundup Ready (INTACTA RR2 PRO®), denominada soja RR2; e o quarto com soja RR1 irrigada. 

Os componentes dos custos refletem os sistemas de produção em uso pela maioria dos produtores de soja, nas diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, e por grande parte dos agricultores que utilizam irrigação na região sul de Mato Grosso do Sul. Juntamente com a apresentação dos custos de produção, estão identificados o ponto de nivelamento e o custo total médio. Para tanto, foram considerados os preços de fatores e dos produtos vigentes, levantados no mês de junho de 2016.

O plantio da safra de verão de soja 2016/2017 deve começar no fim do mês de setembro e início de outubro. Alguns produtores gostam de cultivar a soja tão logo se encerre o Vazio Sanitário da Soja, em 15 de setembro. Isso, no entanto, não é recomendado pela pesquisa, especialmente se o tempo estiver muito seco no fim do mês de setembro.

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