As pequenas e médias empresas (PMEs) de Mato Grosso do Sul apresentam uma procura potencial por crédito superior à média do Centro-Oeste e do País. Dados da Serasa Experian enviados com exclusividade ao Correio do Estado mostram que 41,2% das PMEs do Estado têm perfil tomador de crédito para pessoa jurídica (PJ), enquanto a média regional é de 31,1% e a nacional, de 28%.
A diferença também aparece quando o foco é o capital de giro, uma das principais modalidades utilizadas pelas empresas para financiar o funcionamento e a expansão dos negócios. Em Mato Grosso do Sul, 57,8% das PMEs apresentam afinidade com operações de capital de giro, porcentual superior aos 44,2% registrados no Centro-Oeste e aos 41% da média brasileira.
Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Serasa Experian por meio do Insights Hub, plataforma que reúne informações analíticas, comportamentais e financeiras para identificar características e oportunidades no mercado empresarial.
O resultado coloca o Estado em posição de destaque dentro da região. Enquanto 31,1% das PMEs do Centro-Oeste apresentam perfil tomador de crédito, o porcentual em sul-mato-grossense é 10,1 pontos porcentuais maior. No caso do capital de giro, a diferença chega a 13,6 pontos porcentuais.
COMÉRCIO
A forte afinidade com crédito ocorre em uma base empresarial formada principalmente por pequenos negócios. Em Mato Grosso do Sul, 43,3% das PMEs atuam no comércio, setor que aparece como o principal segmento empresarial no Estado.
O comércio também é predominante no conjunto do Centro-Oeste, onde representa 42,2% das PMEs, acima da média nacional de 39,7%. Na região, aparecem ainda indústria de transformação, com 7,4%; alojamento e alimentação, com 6,7%; e construção, com 6,3%.
O perfil mostra a importância das empresas ligadas ao consumo e à circulação de mercadorias para a economia sul-mato-grossense e ajuda a explicar a demanda por recursos para manutenção das operações, formação de estoque e capital de giro.
Apesar do forte potencial de demanda por crédito, as PMEs sul-mato-grossenses são formadas, em grande parte, por estruturas enxutas; 89,9% têm até nove funcionários, segundo os dados enviados pela Serasa.
Em relação ao tempo de atividade, 38,1% das empresas atuam há mais de cinco anos. O levantamento regional, por sua vez, aponta que 78,3% das PMEs do Centro-Oeste estão no mercado há mais de cinco anos e 78,9% têm até nove funcionários.
A combinação entre estruturas pequenas e demanda por crédito reforça a importância de recursos que possam ser utilizados para manter o fluxo de caixa, financiar estoques, ampliar operações e sustentar o crescimento dos negócios.
CAPITAL
Além dos indicadores específicos de Mato Grosso do Sul, o levantamento permite observar a distribuição das PMEs pelos principais municípios do Centro-Oeste. Campo Grande reúne 10.880 pequenas e médias empresas, sendo o quarto maior polo empresarial da região, atrás de Brasília, Goiânia e praticamente empatada com Cuiabá.
Brasília concentra 33.729 PMEs, Goiânia tem 22.479, enquanto Cuiabá aparece com 10.803. Juntas, as quatro cidades concentram 41,9% das empresas analisadas no Centro-Oeste.
Dourados também aparece entre os principais polos empresariais identificados pela pesquisa, com 2.960 PMEs. O município sul-mato-grossense fica à frente de Sorriso, que reúne 2.189 empresas, e integra a lista de cidades médias que ajudam a distribuir a atividade empresarial para além das capitais.
Entre os demais municípios com maior número de PMEs estão Anápolis, com 4.134 empresas; Sinop, com 3.658; Rondonópolis, com 3.628; Aparecida de Goiânia, com 3.106; Várzea Grande, com 3.053; e Rio Verde, com 2.989.
O maior apetite por crédito no Centro-Oeste, entretanto, convive com indicadores de risco que exigem cautela das instituições financeiras. Na região, 27,8% das PMEs estão classificadas nas categorias de risco alto ou muito alto, acima dos 25,9% registrados no País.
Também é maior a proporção de empresas com restrições financeiras elevadas. Cerca de 24,5% das PMEs do Centro-Oeste têm restritivos superiores a R$ 50 mil, contra 23% no Brasil. Para valores acima de R$ 250 mil, o porcentual chega a 13%, ante 11,9% na média nacional.
A Serasa Experian destaca que potencial de contratação e risco devem ser avaliados conjuntamente para que as instituições possam identificar oportunidades de concessão de crédito com maior segurança.
“Os dados do Centro-Oeste mostram como o potencial de contratação de crédito e risco precisam ser analisados de forma conjunta. A região apresenta uma presença relevante de empresas com afinidade a diferentes operações de crédito, mas também indicadores que reforçam a necessidade de conhecer com profundidade o perfil de cada negócio para identificar oportunidades de concessão com mais segurança”, diz Viviane Moura, diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian.


