Economia

Matéria-prima da celulose

Recuperação de áreas degradadas pode quadruplicar florestas plantadas em MS

Lei que desobriga silvicultura de licença ambiental reduzirá custos da conversão de 4,9 milhões de hectares de pastagens em florestas

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A desobrigação de licenciar em órgãos ambientais as florestas plantadas, prevista em lei sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sexta-feira (31/5), pode ser o empurrão que faltava para os integrantes da cadeia produtiva da celulose (que envolve florestas de eucalipto) expandirem ainda mais a área ocupada no Estado. 

Apenas no entorno das regiões em que as florestas plantadas já fazem parte da paisagem – nos municípios do leste de Mato Grosso do Sul – há a possibilidade de que a área ocupada por florestas plantadas seja quase quadruplicada.

Atualmente, as florestas plantadas de eucalipto ocupam uma área de aproximadamente 1,3 milhão de hectares no Estado. Segundo números da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o número poderia ser facilmente ampliado para 4,9 milhões de hectares. 

A expansão das florestas plantadas em Mato Grosso do Sul ocorreria por meio da conversão de pastagens degradadas em florestas de eucaliptos.   Essas áreas degradadas estão próximas ou mesmo nas regiões onde já existem florestas plantadas. As pastagens, no arco de cultivo e expansão da celulose, ocupam 18 milhões de hectares atualmente. 

A observação de que as florestas de eucalipto no Estado poderiam ser facilmente expandidas a partir da conversão de pastagens degradadas foi feita em fevereiro deste ano, durante exposição da cadeia produtiva da celulose a investidores brasileiros e internacionais pelo titular da Semadesc, Jaime Verruck, em evento promovido pelo Itaú BBA.

Essa conversão seria fácil em termos de baixo custo de capex (investimento para implantação) e preparação do solo (é uma conversão de área degradada). A nova lei entra para reduzir ainda mais o capex, pois exclui etapas de licenciamento ambiental das grandes plantações. 

Na ocasião, Verruck ainda observou que a área plantada atual de eucalipto de Mato Grosso do Sul está concentrada nas regiões leste e nordeste do Estado, e que há possibilidade de expansão na direção noroeste. 

De fato, a chegada da Arauco à Inocência e a prospecção de uma nova frente produtora de celulose em municípios como Alcinópolis, por meio de empresas como Portucel e Paper Excellence, confirmam o potencial de aumento da área plantada no Estado.

Entenda a lei

Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 31 de maio, a nova legislação permite que o setor não precise mais de licenciamento ambiental para o plantio de florestas voltadas à extração de celulose, como pinus e eucalipto. Além disso, a lei isenta o pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TFCA), modificando a Lei nº 6.938/1981 da Política Nacional do Meio Ambiente.

O diretor-executivo da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), Dito Mário, destaca o potencial de crescimento do setor no Estado.

“Acredito que até 2030 podemos chegar a 2 milhões de hectares ou até mais. Isso vai depender dos investimentos que estão vindo”, aposta.

O economista do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), analisa a nova lei como um grande avanço, potencialmente positivo para a economia de MS.

“Trata-se de uma atividade que, quando feita de forma adequada e com responsabilidade, contribui para o reflorestamento e para a redução de emissões de gases na nossa atmosfera”, frisa o economista.

Ele enfatiza que a lei representará um grande salto, beneficiando o setor com agilidade nos processos burocráticos e promovendo um desenvolvimento mais perene e acelerado.

Mais um aspecto positivo para o Estado é o objetivo de tornar MS neutro na emissão de carbono, conforme destacado pelo governador Eduardo Riedel.

“A floresta plantada, além de toda consequência econômica, social e de desenvolvimento, é altamente sustentável no processo de captura de carbono, contribuindo para o balanço de carbono que Mato Grosso do Sul tanto almeja alcançar até 2030”, reforça Riedel.

Ele ainda ressalta a importância da nova regulamentação para o segmento florestal, que gera mais de 30 mil empregos no Estado.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também considera a retirada da silvicultura da lista de atividades potencialmente poluidoras como um marco relevante para o setor florestal brasileiro.

“Além de reduzir custos operacionais associados às obrigações de conformidade, a exclusão da silvicultura dessa lista simplifica o processo de licenciamento”, destaca Fávaro.

Sistema Interligado Nacional

ONS estuda necessidade de acionar plano emergencial no feriado

Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que medida pode ser adotada para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade

05/09/2026 20h00

"equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida" Paulo Ribas

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Através do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi informado que, após análise das condições operativas, identificou-se como "média" a probabilidade de acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia já neste domingo (6), e como "baixa" no feriado de segunda-feira, 7.

A medida pode ser adotada em situações nas quais, após a redução da geração coordenada pelo ONS, permanece a necessidade de restringir a produção de energia das distribuidoras para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

"Assim, as equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida", informou o ONS. "Sendo assim, no sábado e no domingo, dias 5 e 6, serão realizadas as programações para os dias seguintes, quando será confirmada ou não a necessidade de acionamento do plano", informa o ONS.

ECONOMIA

Cartões avançam na corrida para manter relevância em era de pagamentos por robôs

Na corrida pela vanguarda do comércio agêntico, operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e lutam para se firmar como camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações

05/09/2026 15h30

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação Divulgação

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Sendo necessárias algumas décadas para os cartões paulatinamente derrubarem a hegemonia do papel-moeda na carteira do consumidor, nesse processo, as bandeiras se firmaram como uma espécie de "ponte" segura conveniente entre o comprador, o banco e o comerciante. Porém, na próxima era dos pagamentos digitais, um quarto elo entrará na jogada e promete revolucionar o modelo de negócios do setor: os agentes de inteligência artificial.

Na corrida por essa vanguarda do comércio agêntico, as operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e trabalham para se firmar como a camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações.

No futuro, um assistente de IA vai comparar preços, escolher a melhor opção e concluir a compra de forma completamente autônoma.

Nos últimos meses, Mastercard, Visa e Elo avançaram nos primeiros passos concretos na disputa para intermediar a nova cadeia. No entanto, executivos da indústria consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) admitem incerteza sobre o cronograma para retirar o modelo agêntico da fase experimental e torná-lo tão trivial e difundido quanto fazer um Pix.

"Acredito que a autonomia total - do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa - ainda vai levar um tempo. Isso se deve a uma questão cultural, à necessidade de construir confiança e aos próprios desafios de segurança", reconhece o vice-presidente de tecnologia da Elo, Eduardo Merighi, em entrevista ao Broadcast.

Os desafios já começam antes da decisão de compra. Depois da resistência nos primeiros anos do e-commerce, o varejo finalmente conseguiu acostumar o consumidor a seguir etapas muito particulares para obter produtos na internet: entrar em um buscador, encontrar a melhor loja, clicar no botão "comprar", autorizar a transação e receber o item em casa. Delegar todo esse processo a um robô exige um rompimento do paradigma cultural que demanda tempo.

Historicamente, grandes mudanças no segmento da adquirência demoram cerca de uma década para atingir escala global, lembra o diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez. A tarja magnética só substituiu de vez o velho "clack-clack" das maquinas manuais em meados dos anos 80, embora a tecnologia tenha sido desenvolvida cerca dez anos antes. Do chip ao pagamento por aproximação no celular, a dinâmica de adoção foi semelhante.

A era da IA, por outro lado, parece encurtar os prazos. ChatGPT, Gemini e Claude nem existiam há cerca de quatro anos e já transformaram a experiência digital de pessoas e empresas. No caso da tecnologia agêntica, a velocidade da disseminação deve ficar no meio entre os dois extremos, projeta Fourez. "As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora", argumenta.

Investimentos

Os esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação. O comércio por agentes de IA para consumidores (B2C) deve movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030, de acordo com estudo da consultoria McKinsey & Company. O sucesso do Pix, que ajudou na digitalização dos pagamentos, posiciona o Brasil como um dos mercados mais promissores para a nova tecnologia, avaliam executivos.

Por isso, as principais bandeiras em operação no Brasil têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas para a IA. A Elo, coontrolada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, recentemente expandiu para 5 mil clientes um agente de IA em parceria com a agência de viagens digital Decolar. A ferramenta realiza toda a jornada de compra de passagens áreas, da busca à transação, e é integrada ao outros canais, como o WhatsApp. Apenas na etapa de concluir a aquisição, o usuário ainda precisa intervir para dar a palavra final.

As rivais Visa e Mastercard, por sua vez, fizeram os primeiros testes no Brasil de transações em tempo real de pagamentos agênticos, em março. A Visa trouxe ao País um programa para certificar emissores e credenciadores para a condução de operações feitas por agentes de IA. Em vez de criar uma rede do zero, a estrutura atualiza sistemas já existentes (como APIS de tokenização e autenticação biométrica) para viabilizar essas transações.

Em junho, a Visa anunciou uma parceria com a OpenAI para habilitar o comércio agêntico, primeiramente nos EUA. "Ainda não sabemos quando [essa solução] virá para o Brasil, mas estamos nos preparado tecnologicamente para recebê-la", afirma o diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia.

Já a Mastercard tem concentrado os esforços no chamado Agent Pay, uma infraestrutura que promete trazer segurança, autenticação e confiança ao comércio agêntico. Para além do foco no consumidor final, a credencidadora estendeu o conceito para automação entre empresas, com o Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA executem pagamentos corporativos de forma autônoma conforme orçamentos pré-definidos. Na semana passada, a bandeira anunciou ainda uma solução que adapta sites de lojistas para serem lidos por agentes.

 

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