Frigoríficos tentam forçar a queda na arroba do boi na marra, oferecendo até R$ 3 (2,8%) a menos ao pecuarista, mas não convencem o fornecedor. Comparada a novembro do ano passado, quando custava R$ 70, o valor da arroba do boi (R$ 107) teve valorização de 52,8%. Esse é também o aumento do preço da matéria-prima da indústria, por isso a luta dos empresários para travar o encarecimento.
O cenário é o mesmo em São Paulo, Mato Grosso e Goiás, segundo a consultoria paulista Scot. Em São Paulo o preço de referência estava em R$ 114,73 à vista, e R$ 117,71, a prazo, ambos livres do pagamento de Funrural.
Os “baixistas” formam um pequeno grupo de empresários que não poderão levar a estratégia adiante porque têm de disputar os animais que já estão escassos, segundo o presidente da Associação dos Matadouros e Frigoríficos de MS (Assocarnes), João Alberto Dias, de Campo Grande. “É difícil adotar essa postura porque não temos muitos animais acabados nesse momento”, explica Dias. Para especialistas, o produtor tem dificuldades em negar a venda, pois precisa dela para reforçar o caixa.
Na ponta, o consumidor mostra que não aguenta absorver seguidas altas. Prova disso é que, em Dourados, o preço do gado gordo começou a recuar nesta semana, depois de bater em R$ 105, para os negócios à vista. Ontem houve ofertas de dois frigoríficos que compram na região de R$ 98 (menos 6,6%) pela arroba do boi e de R$ 93 pela vaca. O mesmo está ocorrendo em outras áreas pecuárias, mesmo não havendo grande oferta de bovinos.
Essa regressão das cotações foi provocada pela forte queda no consumo já que o quilo da carne de 1ª, por exemplo, não sai por menos de R$ 15 nos açougues e está ainda mais cara nos supermercados. O quilo da picanha e do filé custa, no mínimo, R$ 20. A costela, que é de 2ª, ainda tem preço mais suportável ficando em torno de R$ 7.
“O mercado não suportou seguidas altas na arroba. A população não tem como pagar tanto pela carne, principalmente os assalariados”, avaliou Camilo de Melo, sócio de uma corretora de gado em Dourados. Ele citou que a tendência é de uma queda maior nos próximos dias, ficando a arroba do boi, à vista, estabilizada em R$ 95 e da vaca a R$ 90.
O alto custo do gado fez, inclusive, com frigoríficos suspendessem as compras por um ou dois dias, já que os pecuaristas apostavam em reajustes diários ainda maiores. Ao sair do mercado temporariamente, as industrias fazem a queda de braço com os criadores, tentando reverter a tendência altista vinda das fazendas e confinamentos.
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