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LIBERTADORES

Abismo separa Santos dos semifinalistas

Abismo separa Santos dos semifinalistas

Redação

24/05/2011 - 10h55
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As semifinais da Libertadores, que começam amanhã, expõem o abismo que há entre o Santos e os demais times que chegaram até essa fase do torneio continental. O único clube brasileiro vivo na competição é uma máquina de fazer e gastar dinheiro, se comparado ao paraguaio Cerro Porteño (seu adversário nesta fase), ao uruguaio Peñarol e até ao argentino Vélez Sarsfield.

A distância é um reflexo do que ocorre no Mercosul, bloco econômico do qual fazem parte os mesmos países, e que tem o Brasil com uma economia muito mais forte que as de Argentina, Paraguai e Uruguai.

Um bom exemplo da diferença de valores com que lidam esses clubes é a bilheteria. O último jogo do Santos, no Pacaembu, gerou uma renda de R$ 1,3 milhão.

As outras equipes, com ingressos médios muito mais baratos, não chegam nem perto dessa arrecadação.

Oponente do Santos nesta quarta no Pacaembu, o Cerro Porteño é o time de menos tradição nas semifinais. Apesar de estar na 34ª participação na Libertadores, nunca chegou a uma decisão.

A falta de poderio financeiro fez o clube paraguaio perder a sua maior revelação em anos por um valor baixo.

O atacante Juan Manuel Iturbe, 17, já está vendido ao Porto e deve ir à Europa assim que o Cerro fechar a participação na Libertadores.

Os portugueses pagaram R$ 3,5 milhões pelo jogador, que é comparado a Messi nas categorias de base da seleção argentina, país onde nasceu e que escolheu defender --é filho de paraguaios.

Como comparação, a multa rescisória de Neymar, 19, é de cerca de R$ 100 milhões.

Peñarol e Vélez, que se enfrentam na outra semifinal, têm muito mais tradição, mas também lutam contra seus problemas financeiros.

O clube uruguaio, pentacampeão da Libertadores e tricampeão mundial, aceitou negociar seu melhor jogador (o meia argentino Martinuccio) com o Palmeiras por menos de R$ 1 milhão.

O clube fatura cerca de R$ 2 milhões por ano com direitos de TV. O Santos recebeu R$ 32 milhões em 2010 e deve dobrar o valor com o novo contrato, a partir de 2012.

Para manter as contas em dia, o Vélez, que conquistou a Libertadores em 1994, depende em grande parte da venda de seus jogadores.

O balanço do clube em 2010 mostra um passivo de R$ 23 milhões --o sétimo maior entre os vinte times da primeira divisão argentina.

"Vender jogadores é uma política comum", declara o presidente do Vélez, Fernando Raffaini. "Não há outra alternativa possível."

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