A construção de mais shoppings, a chegada de novas marcas nacionais e multinacionais por meio de franquias e o aumento no fluxo de veículos. Para o auxiliar de contabilidade Leandro Oliveira, de 23 anos, esses são exemplos de que Campo Grande tem se desenvolvido usando São Paulo como um “espelho”. Integrante da Torcida Independente do São Paulo em Mato Grosso do Sul, ele acredita, entretanto, que esteja no futebol a principal influência paulista na cidade. É a torcida dos campo-grandenses para times tradicionalmente paulistas.
“O que chega a São Paulo acaba influenciando por aqui, mas a primeira influência é no futebol mesmo”, avalia Leandro, que cede a casa para a torcida assistir aos jogos do time, enquanto a sede oficial não fica pronta.
Credenciados como sub-sede oficial, a torcida já fez 14 caravanas para São Paulo. “Nós já somos conhecidos lá por ser a caravana de mais longe e que mais comparece. São 1.500 quilômetros”, observa o advogado Daniel Novaes, de 31 anos. Ele começou a torcer para o time paulista por gostar das cores da camisa e hoje também integra a Torcida Independente, que tem cerca de 200 membros cadastrados.
Para Leandro Oliveira, o interesse dos campo-grandenses pelo futebol paulista se deve à ausência de um futebol local forte. “O futebol daqui não rende, aí as pessoas se apegam aos times de outro estado”, afirma.
Apesar de reconhecer as dificuldades locais em relação ao futebol, Leandro ressalta a vantagem de pertencer à torcida na Capital. “O esporte em São Paulo é muito ligado à violência”, critica.
Tranquilidade
Quando chegou a Campo Grande, há cinco anos, o estudante de engenharia mecatrônica Marcelo Henrique Thianca da Silva, de 21 anos, soube da Torcida do São Paulo e encontrou no grupo uma forma de se manter ligado à sua cidade natal. “É uma família”, diz.
Como várias outras famílias paulistanas, a do estudante veio para a Capital em busca de um lugar mais tranquilo para viver. No começo, ele estranhou o sossego da cidade. “Achava muito calmo aqui, muito parado”, lembra. Agora, entretanto, afirma preferir a Cidade Morena justamente por causa da tranquilidade. “Gosto mais daqui”, confessa.