Esportes

Mário Fernandes

Grêmio luta contra desvalorização de jogador

Grêmio luta contra desvalorização de jogador

Redação

29/09/2011 - 14h47
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Quem se dispõe a ouvir histórias sobre Mário Fernandes tem a nítida sensação de estar escutando um hit musical à exaustão. Amigos, parentes, vizinhos, atuais colegas de Grêmio, ex-treinadores e ex-dirigentes, enfim, todos parecem ter combinado uma expressão para definir o zagueiro que recusou a convocação para a seleção brasileira: “um guri cara limpa”.

Então, o que determinou a surpreendente decisão? Há uma série de situações no mínimo estranhas que ajudam a entender. Tudo começou numa festa na noite de domingo, em Porto Alegre, após a vitória sobre o Avaí, que promete acompanhá-lo por bom tempo na carreira.

Ainda assim, a direção do clube gaúcho e o representante do jogador, o empresário Jorge Machado, temem que o episódio desvalorize uma iminente venda à Europa. “Ele não tem comportamento diferente de nenhum jovem desta idade. Tem 21 anos, é um garoto cheio de vida. Se atrasou e depois não foi por questão pessoal. É isso", disse Jorge Machado ao desmentir a presença do atleta no evento noturno.

De acordo com o jornal Zero Hora, Mário perdeu o horário do voo, na manhã de segunda-feira, por ter ficado numa casa noturna conhecida pelos shows de sertanejo universitário, em bairro boêmio de Porto Alegre, até as 5h. O atleta não se manifestou desde então. O pai, chamado Mário Pércio Fernandes, em entrevista ao Sportv, negou a informação:

"O Mário sofreu depressão há muito tempo. Hoje, está recuperado. Ele não embarcou por motivos que não podem ser falados. Não tem nada a ver com noitada e perder a hora".

O técnico Celso Roth adotou discurso parecido: “Ele é um jovem, e tenho filhos nesta idade. Agem da mesma forma. É um problema pessoal dele. Não tem a ver com noitadas, ou essas coisas que estão dizendo. Se fosse isso, o Grêmio saberia. Mas a opinião pública diz muitas coisas... Diz até que eu sou mal-humorado..."

Esta, porém, não foi a única polêmica do defensor em três anos de Olímpico. A primeira aconteceu no dia 13 de março de 2009, quatro dias depois de ter sido contratado do São Caetano. Mário fez um treino nos juniores, três pelo profissional e, sem comunicar ninguém, decidiu ir para casa. Foi considerado desaparecido pela polícia gaúcha e, quatro dias mais tarde, acabou encontrado na casa de um tio em Jundiaí, interior de São Paulo. “Ele estava muito assustado”, lembra o delegado Bolívar Llantada, que comandou as investigações.

“Na época, chegamos a conclusão que ele sofreu uma fragilidade emocional. Ele tem medo de enfrentar situações novas, diferentes. E reage desta forma”, completou Julio Soster, coordenador geral das categorias de base do Grêmio na época.

Julio e sua equipe receberam o garoto após a volta ao trabalho no Olímpico – Mário passou cerca de um mês com os pais em São Caetano do Sul e fez uma verdadeira peregrinação por hospitais paulistas, realizando exames psicológicos e neurológicos. Nenhum problema foi diagnosticado. No Grêmio, teve o acompanhamento de uma assistente social que não trabalha mais no clube. A vida voltou ao normal, muito porque passou a ter vínculos na cidade. Sua mãe morou com ele por um mês, depois dividiu apartamento com o zagueiro Saimon até sentir confiança para assumir uma vida própria.

Voltou ao profissional, atuou com o time reserva contra o Sport pelo Brasileirão (os titulares disputavam a Libertadores) e ganhou a grande chance na carreira: foi titular no Gre-Nal do Centenário, vencido pelos azuis por 2 a 1. Marcou Nilmar e teve grande atuação ofensiva como lateral-direito. Passou a ser figura reconhecida.

O meia Souza, atualmente no Fluminense, o apelidou de “Doril” (uma referência ao remédio que faz “sumir” dores de cabeça). Nas ruas, passou a ser assediado por torcedores. Tímido, embora não se recuse a dar entrevistas, evita ir a estúdios de rádio e televisão e redações de jornal sob a alegação de “serem longe da sua casa”.

Passa o período de folga jogando videogame – é fã de Fifa Soccer, preferencialmente no Playstation. É visto, com frequência, em baladas. Sempre em períodos de folga. Em 2011, com Renato Gaúcho, faltou a dois treinos por acordar atrasado. Pagou multa como punição.

Mário também é descrito como um “grande amigo” por quem convive com ele. É capaz de demonstrar afeto e consideração. Julinho Camargo, o técnico que sucedeu Renato e acabou substituído por Celso Roth, fez uma frase interessante: “Ele foi um dos que mais comprou e batalhou pela nossa causa. Sempre teve comprometimento”.

Também é bem-humorado. Após a primeira convocação, brincou sobre a reviravolta na carreira. Disse que “não poderia fugir da seleção”. Curiosamente foi o que fez...

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